Na atualidade, a grande dificuldade em concursos e vestibulares tem sido o Português… Inclusive, o concurso da prefeitura está se aproximando. É no próximo domingo! E você não pode perder a chance de esclarecer mais uma de suas dúvidas. Sendo assim, esse quadro, o CUIDADO COM A LÍNGUA poderá ser bem útil.

A dica BAKANA de hoje partiu de uma dúvida da nossa ouvinte Jéssica Nascimento, lá do Bairro Beija-flor. Embora tenha despertado nela o desejo de esclarecimento e seja uma boa pedida para vésperas do concurso municipal, acredito que esta dúvida não é só dela, mas de todos os usuários da nossa língua. Até porque todo mundo se confunde quando devemos usar ou não a tal da crase.

Quando eu vi essa sugestão, confesso que fiquei meio apreensiva! Explicar as infinitas regras e exceções do uso e desuso da crase não é tarefa fácil, mas, como nossa tarefa é descomplicar tudo para você, passarei apenas algumas dicas e regras básicas que facilitarão sua vida na hora dos concursos e escritura de um texto.

Bem… A tal da crase, que é a fusão de duas vogais da mesma natureza – sendo a (preposição) + a (artigo) sinalizado com o acento grave, assinalado no sentido contrário do acento agudo – aparece na nossa língua como um elemento de contração, onde duas palavras se unem e exercem valor de uma.

Às vezes, a utilização da crase se torna difícil porque desconhecemos as regras de regência dos nossos verbos. E isso não pode acontecer. A crase está condicionada aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal e nominal, mais precisamente ao termo regente e termo regido. Ou seja, o termo regente é o verbo ou nome que exige complemento regido pela preposição “a”, e o temo regido é aquele que completa o sentido do termo regente, admitindo a anteposição do artigo a(s).

Inclusive, essa é nossa regra geral para bem a utilizarmos: Haverá crase sempre que:

  1. o termo antecedente exija a preposição a;
  2. o termo consequente aceite o artigo a.

Observe estas duas frases:

Vou à cidade.

Vou a Guanambi.

No primeiro caso, “Vou à cidade”, deveríamos utilizar a crase porque quem vai, vai a algum lugar, logo exige preposição. Da mesma forma que cidade aceita em sua construção o artigo a. Já no segundo caso, “Vou a Guanambi”, não deveria ter crase porque, apesar de o verbo exigir a preposição a, a palavra Guanambi não precisa de artigo que para a acompanhar.

Sabe como a gente descobre isso? Muito fácil.

  1. Se pudermos empregar a combinação da antes da palavra, é sinal de que crase há.
  2. Se empregarmos apenas a preposição de, é sinal de que crase não deve haver ali.

 Entenderam? Vejamos.

Ex:   Vim da Bahia. (aceita) Logo, Vou à Bahia.

         Vim de Brasília (não aceita)

         Vim da Itália. (aceita) Logo, Vou à Itália.

         Vim de Roma. (não aceita)

Outra dica é substituir a crase por “ao” e o substantivo feminino por um masculino. Caso essa preposição seja aceita sem prejuízo de sentido, então com certeza há crase.

Veja alguns exemplos: “Fui à farmácia”; substituindo o “à” por “ao” ficaria Fui ao supermercado. Ou então, “Assisti à peça que está em cartaz”, substituindo o “à” por “ao” ficaria Assisti ao jogo de vôlei.

Logo, o uso da crase está correto.

É importante lembrar dos casos em que a crase é empregada, obrigatoriamente: nas expressões que indicam horas ou nas locuções à medida que, às vezes, à noite, à sua maneira, dentre outras, e ainda na expressão “à moda”.  Veja:

Exemplos: Sairei às duas horas da tarde.

À medida que o tempo passa, fico mais feliz por você estar no Brasil.

Quero uma pizza à moda italiana.

Como também canta Capital Inicial:

“Ela dormiu no calor

Dos meus braços

E eu acordei sem saber

Se era um sonho

Algum tempo atrás

Pensei em te dizer

Que eu nunca caí

Nas suas armadilhas de amor

Naquele amor

À sua maneira

Perdendo o meu tempo

À noite inteira”

Por fim, uma última ressalva: A crase não ocorre antes de palavras masculinas; antes de verbos, de pronomes pessoais, de nomes de cidade que não utilizam o artigo feminino, da palavra casa quando tem significado do próprio lar, da palavra terra quando tem sentido de solo e de expressões com palavras repetidas como dia a dia.

Apesar de tanta explicação, acredito que o uso da crase se torna algo mais fácil agora para você, em especial para nossa ouvinte Jéssica.

Envie sua dúvida para nós. A equipe Bakana fará o possível para descomplicar e tornar o Português fácil, fácil.  Toda segunda feira, no Mix 96, aqui na 96 Fm, Cuidado com a Língua.

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