Cordel_mae_veia

A minha homenagem para aquelas que fizeram da fé, um instrumento de amor, benignidade e caridade. Na pessoa de Dona Judite, que marcou a infância de muitos, expresso, através destes versos simplórios, o meu respeito! – João Roberto Teixeira


– Um cordel pra Mãe Véa (Judite rezadeira) –

Vou falar de uma pessoa
De alma muito iluminada
Sempre com sorriso aberto
E uma boa gargalhada
Vivia no sofrimento
Mas não fazia lamento
De sua vida amargurada.

“Judite rezadeira”
É de quem eu vou lembrar
Morava em casa humilde
Lá na Rua Mor Pará
No Bairro Monte Pascoal
No fundo do seu quintal
Para a todos feliz rezar.

Morava com oito filhos
E sete netos também
Tinha Elias e Zé Bento
Lia, Paulo e Neném
Zezão era o mais velho
Tinha a Silvia e o Nélio
O mais novo era Perren.

Dor de dente e quebranto
Mal olhado e agouro
Dor de barriga e cabeça
Rezava fechando o olho
Pedia ao nosso Senhor
Rezando com muito clamor
Rogando ao Pai o acolho.

Fedegoso e alecrin
Com estas ervas preparava
No sereno de molho
Na água madrugava
Nos Santos e Cristo Jesus
Fazendo o sinal da cruz
E a erva toda murchava.

Espinhela caída
E o ventre virado
Intestino ruim
E cabelo encravado
Até dor de ouvido
Do nosso povo sofrido
Era o ramo baixado.

“Meu fí quem te botou
Quebranto ou olhado
Foi homem ou mulher
Está amarrado!
No poder de Deus
E da Virgem Maria
Me levante curado.”

“Com três eu te tiro
O que com dois te botou
Foi o anjo de Deus
Que agora te libertou
Tenha fé em Maria
No escuro e no dia
E no Nosso Senhor.”

Com alfazema e arruda
Mãe Véa tudo benzia
Rezou meus irmãos
Minha vó e minhas tias
Até o meu papagaio
Que tava doente
Sarou no outro dia.

Mas esta voz se calou
No ano de noventa e seis
A velinha rezadeira
Nos deixou de uma vez
Na crendice e na fé
Ficou o seu legado
De amor e honradez.

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