Agência Estado
As Indústrias Nucleares do Brasil (INB), estatal responsável pela exploração de urânio na Bahia, foi acusada de omitir informações do governo e de órgãos de controle. Em audiência da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, o secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eugênio Spengler, disse que até mesmo seu governo não tem acesso a dados da empresa. “O que o Estado se ressente muito é que, às vezes, a informação que nós mesmos pedimos à INB não vêm a contento.”

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A falta de transparência também foi apontada pelo coordenador geral de transporte, mineração e obras civis do Ibama, Jônatas Trindade. Tanto o Ibama quanto o governo da Bahia só tomaram conhecimento da contaminação de urânio em Lagoa Real a partir da reportagem do jornal O Estado de S. Paulo no dia 22 de agosto. Ao comentar o caso, Trindade disse que a empresa não tem uma comunicação devidamente formalizada e “essa falta de formalidade gera um problema sério de ‘disse, não me disse’ para o órgão licenciador”.
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O problema foi endossado pelo funcionário da INB Lucas Mendonça dos Santos, que trabalha na empresa há 13 anos. Secretário-geral do Sindicato dos Mineradores de Brumado e Microrregião e representante da Comissão Paroquial do Meio Ambiente em Caetité, Santos lembrou que a INB omitiu por sete meses a informação sobre a contaminação de um poço de Lagoa Real. O deputado Sarney Filho (PV/MA) disse que vai cobrar novos esclarecimento da INB, que nega acusações. “O que ficou claro é que nós precisamos de maior transparência nas ações. A energia nuclear é tratada como um clube secreto, em que as coisas não são muito transparentes”, comentou.

“Hoje o que está transparente na questão da energia por urânio são os riscos, com os desastres que temos vistos, como o ocorrido no Japão. Uma coisa ficou patente: há falhas no monitoramento dessa região. É preciso que haja um esforço conjunto dos governos municipal, estadual e da União para que, sistematicamente, seja feito esse monitoramento. Vamos fazer uma avaliação de tudo que foi dito. Novos esclarecimentos seguramente serão pedidos”, declarou.

O gerente de beneficiamento da unidade de Caetité, Pedro Luiz dos Santos Dias, reafirmou que o poço contaminado em Lagoa Real está fora da área de influência da empresa e que, por isso, a INB não tinha obrigação de inspecionar sua água, o que fez apenas como um favor, a pedido do dono do poço.

Dias também disse que a empresa respeita o que determina a legislação do setor e que a presença de alto teor de urânio na água é natural, porque se trata de uma região com forte presença do metal pesado. “São ocorrências naturais, não tendo relação com as atividades da INB em Caetité”, disse. (André Borges)

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