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Correio 24 Horas

A morte de quatro pessoas durante um conflito entre quilombolas e ciganos em Riacho de Santana, na tarde desta segunda-feira (26), abalou o município do Centro Sul Baiano. “O clima na cidade é de grande comoção. Pense em um município pequeno ter uma tragédia dessas. São praticamente cinco mortes por causa de uma briga motivada por R$ 20”, comentou o delegado Antônio Rosélio Marques, responsável pela apuração do caso.

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Ele contabiliza cinco mortes porque a primeira delas ocorreu em julho deste ano, quando Roberto Conceição da Cruz, que é membro de uma comunidade quilombola, matou a facadas o cigano Adilsonmar Alves de Souza e deixou ferido Somar Alves de Souza, irmão da vítima.

Nesta segunda, quatro homens ligados à família de Adilsonmar quiseram se vingar de Roberto. Somar, Dilsonmar Alves de Souza, Marlone Oliveira Silva e Lindomar Castilho foram até o quilombo onde o desafeto vive com a família.

Lá, eles mataram a mãe de Roberto, Ana Rita da Conceição, o irmão dele, Cristiano Conceição da Cruz, e ainda balearam o filho de Cristiano, de 9 anos, no peito.

Ao ouvir os tiros, Roberto correu para casa e revidou a ação. O quilombola atingiu e matou Dilsonmar e Marlone, mas também acabou baleado. Após troca de tiros, os ciganos fugiram do local em um carro modelo Siena prata, que quebrou no caminho.

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Lindomar e Somar, que sobreviveram ao revide de Roberto, abandonaram o veículo onde estavam os corpos dos dois ciganos mortos e seguiram em fuga. O delegado Antônio Rosélio acredita que os fugitivos, feridos, deram entrada em um hospital de uma cidade no norte de Minas Gerais. A polícia tem feito contato com os hospitais da região para tentar localizar os foragidos.

Reforços

A cidade recebeu reforço policial, segundo o delegado. Investigadores foram enviados da 24ª Coordenadoria Regional de Polícia Civil (Coorpin/Bom Jesus da Lapa) e policiais estão atuando na segurança do Hospital Municipal de Riacho de Santana, onde Roberto está internado. Ainda não há informações sobre o estado de saúde dele.

O delegado não soube precisar a idade de Beto, como a vítima é conhecida, mas ele é jovem e tem aproximadamente 25 anos.

Ainda conforme o delegado, o Hospital Regional de Guanambi avalia como “gravíssimo” o estado de saúde do sobrinho de Beto, que tem 9 anos. “O menino foi levado para Guanambi e o hospital informou que ele foi baleado no peito e estaria com uma bala alojada no pulmão”, detalhou Marques.

Autores do ataque vieram de Minas Gerais
Os ciganos fazem parte de uma comunidade na cidade de Palmas de Monte Alto, também no Sudoeste baiano. Já a comunidade quilombola, certificada pela Fundação Cultural Palmares, é conhecida como Gatos de Vesperina e fica mais próximo de Palmas de Monte Alto do que da sede, Riacho de Santana.

Em Gatos de Vesperina comenta-se que Beto temia a retaliação e, por isso, costumava ficar no matagal próximo da casa da mãe, escondido, sempre com duas armas (calibres .38 e .12).

Segundo o delegado Antônio Rosélio, Beto morava perto da comunidade quilombola, mas só se mudou para lá, para a casa onde residiam a mãe, o irmão e o sobrinho, após ter começado a receber ameaças de vingança pela morte de Adilsomar, ainda em julho.

Na cidade, só se comenta este assunto. “Em julho, quando houve a morte (de Adilsomar), os ciganos chegaram da mesma forma que ontem, atirando. E Beto se escondeu até que percebeu que as balas haviam acabado. Saiu de casa e esfaqueou os ciganos, deixando um morto”, lembra o radialista e advogado Roni Martins.

De acordo com o delegado, na mesma ocasião, Somar Alves de Souza saiu ferido. Ele, então, retornou para se vingar nesta segunda-feira (26) e, de acordo com o delegado, contou com o apoio de outros parentes, que vieram de Minas Gerais apenas para executar o plano.

O CORREIO teve acesso a fotos feitas no local do crime. A violência da ação é evidente. O chão da casa ficou coberto de sangue, há perfurações de balas nas paredes e nas portas e a mãe de Roberto, Ana Rita da Conceição, apresenta perfurações de balas em várias partes do corpo, inclusive na cabeça.

Fotos de Marlone e Somar, um no chão do fundo do carro e outro no banco de trás, mostram que os dois também foram alvejados em várias partes do corpo.

Histórico de violência
Os ciganos são da mesma comunidade que, em 2007, o tenente PM Gílson Santiago Messias Júnior e o comerciante Paulo Sérgio Castro Araújo foram mortos.

Ao todo, 11 ciganos da mesma família foram identificados como autores do duplo homicídio em um bar, onde as vítimas estavam, e outros três morreram num confronto com policiais militares durante a tentativa de fuga.

Filho do comandante do Batalhão de Polícia Militar de Juazeiro, coronel PM Gílson Santiago Messias, o Messias Júnior, na época com 23 anos, foi morto com vários tiros e facadas.

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