Cristiano Fádel | Rádio Igaporã

Na última terça-feira (24), a Comissão Paroquial do Meio Ambiente (CPMA) realizou uma reunião pública na Câmara Municipal de Igaporã, com a presença dos Vereadores Marlúcio Seixas, Elpídio Alves Sobrinho, José Pedro, Maria Romilce e Edmarques Magalhães, do Padre Paulo Henrique e do Engenheiro Eduardo, representante da Empresa Santa Rita.

O plenário da Câmara ficou lotado por populares, por trabalhadores demitidos das empresas que estão construindo o Parque Eólico Alto Sertão III e alunos do Colégio Estadual José Rocha.

renova energia

Segundo o Padre Paulo Henrique, a CPMA enviou ofício a todos os representantes do poder público local (Executivo e Legislativo) e a todas as empresas que atuam na construção do Parque Eólico, convidando para a reunião. Somente a Santa Rita enviou representante.

A Renova Energia deixou de comparecer à segunda reunião convocada com o objetivo de debater problemas que estão afligindo a população igaporaense. Segundo informações obtidas por nossa reportagem, a Renova justificou outros compromissos agendados que impediriam a presença dos seus representantes.

A empresa é reincidente na prática, pois deixou de comparecer a uma reunião agenda pela Comissão de Defesa das Nascentes e Acompanhamento das Defesas Ambientais, formada por membros da Administração Municipal.

Em ofício no. 001/2015, de 23 de outubro de 2015, enviado à Prefeita Rosana Cotrim e assinado por Rafael Valverde, Gerente de Relações Institucionais da Renova Energia, a empresa alegou não poder enviar representantes à reunião agendada pela Comissão devido à “exiguidade do prazo” marcado pela Comissão.

A ausência da Renova Energia na reunião da última terça-feira prejudicou os objetivos do encontro, pois a quase totalidade das cobranças e questionamentos feitos pela comunidade não foram respondidos pelo representante da Santa Rita, que alegou não poder falar em nome da Renova, empresa responsável pelo empreendimento.

Além dos pronunciamentos dos representantes políticos e do Padre Paulo Henrique, alguns moradores da zona rural reforçaram os protestos contra a destruição das estradas vicinais, dificultando a locomoção no interior do Município. O protesto foi reforçado pelo Vereador Marlúcio, Presidente da Câmara, que cobrou uma resposta das empresas sobre o problema. “Elas [eólicas] estão passando em estradas boas que construíram e o povo do interior do nosso município está sofrendo com a chegada das chuvas. Agora, vai passar como…? Precisamos que elas revejam a situação e venham consertar o que destruíram”, cobrou o Vereador.

As demissões de trabalhadores igaporaenses também ocupou as falas dos participantes. Vários populares manifestaram sua revolta com a situação das pessoas despedidas pelas empresas. Conforme denúncia já divulgada pela Rádio Igaporã, alguns trabalhadores permaneceram contratados por períodos inferiores há dois meses e foram excluídos de programas sociais do Governo Federal. Por outro lado, os trabalhadores alegam a presença de grande contingente de pessoas contratadas em outras cidades, supostamente, ocupando vagas que poderiam ser destinadas aos moradores de Igaporã.

O Vereador Marlúcio, novamente, reforçou esse protesto, afirmando que as eólicas anunciaram que manteriam um efetivo com 80% de mão-de-obra local. A garantia não se traduziu em realidade concreta, com exceção dos contratos na empresa Santa Rita, de acordo com o Vereador. O Engenheiro Eduardo respondeu que a empresa mantém um percentual de 50% de trabalhadores locais e de outras cidades, no entanto, o efetivo foi muito reduzido, pois as obras estão em fase de conclusão e a Santa Rita deixará Igaporã.

Uma moradora da zona rural fez uma denúncia grave contra trabalhadores das empresas eólicas. Segundo a mulher, operários assediam jovens nas comunidades rurais e, apesar das queixas, nenhuma providência foi tomada. “Alguns chefes falam para gente procurar eles e denunciar esses trabalhadores. Mas, a gente denuncia só que não acontece nada. Tememos que eles desçam dos carros e ataquem alguém. É uma falta de respeito com a comunidade, porque nenhum trabalhador da comunidade faz isso”, reclamou a moradora.

Ao final dos pronunciamentos, o Padre Paulo Henrique, em nome da CPMA, marcou outra reunião para a próxima terça-feira, 1º de Dezembro, às 9 horas na Câmara Municipal. A Rádio Igaporã ouviu de vários trabalhadores a decisão de tomar decisões mais firmes, como a realização de um grande protesto nas ruas da cidade, se a Renova Energia não comparecer ao próximo encontro.

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