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Tiago Marques | Redação 96FM

Os empreendimentos eólicos têm sido apontados como alternativa sustentável de geração de energia elétrica. Nos últimos anos o Brasil teve um salto imenso na produção deste tipo de energia, na região de Guanambi e Caetité a paisagem foi mudada por grandes obras do setor, bilhões de reais foram e continuam sendo investidos na criação dos parques eólicos nestas localidades.

Porém, há quem diga que este desenvolvimento não está sendo saudável para a região, pois embora a energia gerada pelas torres seja renovável, os danos ao meio ambiente e ao modo de vida de comunidades tradicionais causadas pelo impacto destas grandes obras não estão compensando a vantagem econômica dos projetos.

É o caso da Comissão Pastoral da Terra Regional Bahia (CPTBA) que publicou no início desta semana um artigo intitulado “Energia Eólica no Alto Sertão: Qual é o Desenvolvimento?”, conteúdo reproduzido pelo MIX96. A CPT denuncia que não há desenvolvimento regional com os empreendimentos, tanto na geração de empregos, quanto no aspecto social e muito menos na questão ambiental. Em e-mail enviado à redação do Mix 96, a empresa Renova Energia contesta a publicação e afirma que trabalha respaldada nos pilares da sustentabilidade e com licenciamentos ambientais que permitem as atividades de construção de parques eólicos.

Para a Pastoral, os empregos gerados nas obras são temporários e servem como moeda de troca para políticos angariar votos, além de só usar a mão-de-obra de pouca qualificação da regiçao, trazendo trabalhadores qualificados de outras cidades ou até mesmo de outros países em vez de qualificar os moradores dos municípios onde acontecem as obras. A Pastoral da Terra também critica os processos de contratação de propriedades para instalação de torres eólicas. Para a CPT, está sendo estimulada a grilagem de terras de áreas comuns, usadas coletivamente para a pecuária, extração de lenha, frutas típicas e ervas medicinais. Outro ponto criticado pela Instituição são os graves impactos ambientes e a inércia da empresa em realizar atividades compensatórias. Danos sociais também são apontados como problemas causados pela expansão das eólicas no Alto Sertão.

Em Igaporã, a imprensa local vem constantemente denunciando o suposto descaso da empresa com o meio ambiente e com o modo de vida da população. As denuncias vão desde interrupção de cursos d’água, pressão fundiária, bloqueio de estradas, aumento de poeira, danos ao patrimônio dos moradores e até abuso sexual por parte de funcionários das empresas. Foi criada no município a Comissão Pastoral do Meio Ambiente (CPMA), liderada pelo padre Paulo Henrique para acompanhar e reivindicar que as empresas cumpram o papel social e não cause danos ambientais irreversíveis. Moradores do município acusam a empresa de não comparecer à reuniões e já realizaram protestos.

Com a Palavra a Renova

Para a Renova Energia a atividade é sustentável e só traz benefícios para a região. A empresa afirma que a produção de energia elétrica de fontes renováveis é, atualmente, uma demanda social e de proteção ao meio ambiente. Segundo a Renova, as usinas eólicas e solares não interferem em cursos d´água, são compatíveis com outras atividades econômicas como a agricultura e a pecuária e tem uma reduzida emissão de gases que provocam o efeito estufa.

Na nota enviada ao Mix 96, a Renova diz que seus empreendimentos têm sido fundamentais para o  crescimento econômico nas cidades que passam por dificuldades financeiras, uma vez que a arrecadação de impostos vem diminuindo a cada ano, seja em virtude da crise que assola o Brasil, seja em virtude da diminuição de atividades industriais tradicionais.

“Na contramão da crise a indústria eólica gerou só no ano passado 40 mil empregos diretos e indiretos. E deve gerar mais 200 mil para dar conta de todos os projetos em andamento. Nos próximos quatro anos, serão 66 bilhões em investimentos em todo o Brasil, já garantidos por contrato. O País deveria abrir mão deste volume de investimento? Os empreendedores deveriam voltar seus investimentos para outras áreas quando temos no Brasil recursos naturais e abundantes?” , disse a Renova em Nota

A empresa também afirma que nestes 10 anos de atuação na região de Guanambi e Caetité vem sempre mantendo diálogo com o poder público e com a população e que realiza periodicamente reuniões com as comunidades e com os moradores e lideranças locais, por intermédio da CAE – Comissão de Acompanhamento do Empreendimento, para discutirem assuntos demandados pelas comunidades.

A empresa informa, ainda, que todos os seus projetos são licenciados pelos órgãos ambientais e que, internamente, mantém uma rígida política ambiental desenvolvendo diversas ações que visam a proteção do meio ambiente, a redução, mitigação ou compensação de quaisquer impactos ambientais inerentes à atividade.

Questionada pela reportagem do Mix96 sobre quais projetos a empresa desenvolve na Região para compensar os danos ambientais e sociais, a empresa informou que desenvolve diversos projetos entre eles o Água no Semiárido, do ciclo II do Programa Catavento que recuperou quatro barragens e uma aguada nos municípios de Igaporã e Pindaí. A iniciativa, segundo a assessoria de comunicação da Renova deve beneficiar cerca de 350 famílias. O trabalho prevê a limpeza e a recuperação das barragens e aguadas e, posteriormente, a identificação de formas de preservação e uso  desses recursos hídricos pelas comunidades. “Este é um trabalho que é realizado em parceria com os moradores. Eles nos ajudam a identificar qual é a melhor forma de reduzir o assoreamento e, consequentemente, manter a capacidade de reserva das barragens”, conta o Diretor vice-presidente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Renova Energia, Ney Maron.

VEJA A NOTA DA RENOVA

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