Aeroporto ficou cheio de aeronaves de políticos que vieram participar da inauguração da policlínica - Foto: Leitor da Agência Sertão - Nov/2017

Tiago Marques | Agência Sertão

O Aeroporto Isaac Moura Rocha em Guanambi continua impedido de receber voos de aeronaves de médio e grande porte, devido às restrições de pouso e decolagem impostas pelas autoridades nacionais de aviação.

O sonho do guanambiense de ter um voo comercial na cidade passa por um entrave, enquanto o governo do Estado e a Azul Linhas Aéreas têm interesse na implantação de uma linha partindo da cidade, os morros do entorno do aeroporto são considerados obstáculos perigosos para os aviões.

Enquanto o cidadão comum não tem acesso às viagens aéreas, aqueles que possuem seus próprios aviões usam com frequência o aeroporto. São empresários, políticos e artistas que veem à Guanambi ou cidades vizinhas, ou aqueles que passam somente para abastecer o avião.

 

No final do mês passado o cantor Gusttavo Lima pousou seu jatinho ERJ 135 da Embraer para ir até Bom Jesus da Lapa fazer um show. A aeronave do cantor tem capacidade para transportar até 30 passageiros. Nos dias seguintes foram diversos pousos e decolagens. Algumas outras aeronaves imponentes pousaram por aqui, como um Learjet 40, um Hawker BAE 125-800B e dois Hawker, um modelo 800 e outro 400, além de dois helicópteros, um Eurocopter Esquilo AS 355 N e outro modelo Silorsky S-76A. Essas aeronaves trouxeram empresários à região, as duas últimas vieram com diretores da Bahia Mineração (Bamin) e empresários Chineses interessados nos negócios de mineração na região de Caetité, na construção da Ferrovia de Integração Oeste Leste (FIOL) e do Porto Sul em Ilhéus para escoar a produção.

São mais de 100 pousos e decolagens por mês, em alguns meses esse número passa de 150. Quem estima é o mototaxista Roberto Oliveira, entre o trabalho percorrendo as ruas da cidade e a faculdade de Engenharia Civil, o jovem amante da aviação acompanha a aproximação dos aviões através de um aplicativo de celular. “Eu vejo as aeronaves se aproximando para pousar no aeroporto de Guanambi, sempre que posso, vou lá para conhecer e tirar uma foto. Muitos pilotos que passam pelas aerovias próximas optam pela parada para abastecimento por aqui”, comenta.

Roberto acredita que as restrições de pouso de decolagem serão superadas. Ele lembra que o aeroporto já recebeu aeronaves bem maiores. “Em 1992, um Hércules C130 pousou trazendo donativos para os atingidos pela enchente. Em 2013 a ex-presidente Dilma Rousseff pousou em uma ERJ 145 para inaugurar a adutora do algodão. Outros aviões de maior porte como o ERJ 135 e o Amazonas 105 também já pousaram e decolaram com segurança do aeroporto”, comenta.

Ele mantém uma página no Facebook onde publica fotos de aviões e notícias sobre o aeroporto de Guanambi e a possível vinda de uma linha aérea para a cidade.

O aeroporto de Guanambi está localizado próximo a quatro importantes aerovias brasileiras, elas fazem a ligação das capitais do Nordeste com a região Sudeste e também com a Capital Federal Brasília. O ponto de abastecimento é único em um raio de quase 300 Km, os mais próximos ficam em Vitória da Conquista (BA), Montes Claros (MG) e Barreiras (BA). Uma central de abastecimento no local fornece combustível para as aeronaves que pousam para seguirem viagem para locais mais distantes.

Interdição

Embora a pista do aeroporto de Guanambi tenha 1.700 metros, desde agosto de 2016 estão proibidos pousos e decolagens de aviões que precisam de mais de 800 metros de pista para os procedimentos. Os morros do entorno da pista foram considerados obstáculos naturais após uma avaliação realizada durante a elaboração do Plano Aeroviário do Estado. Na prática, apenas aviões de pequeno porte, como monomotores e bimotores de menor porte podem pousar e decolar no local. Devido à falta de fiscalização, pilotos de aeronaves maiores desobedecem as determinações do Notan.

A prefeitura de Guanambi e a Secretaria de Infraestrutura do Estado estão elaborando um Plano Básico de Zoneamento Aeroportuário para apresentar à Anac e solicitar a retirada das restrições.

Entrave

O governador Rui Costa chegou a afirmar que o governo do Estado construíra um novo aeroporto em Guanambi caso as restrições não sejam superadas junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). O governo do Estado garantiu o investimento de cerca de R$ 5 milhões para a reforma da pista. A prefeitura, através de convênio, reformou o saguão e áreas do entorno do aeroporto. Até o caminhão de combate a incêndios aeroportuários já foi adquirido para operar no aeroporto de Guanambi. A administração do local foi repassada ao governo do Estado por 35 anos.

Em seu discurso durante a inauguração da Policlínica em Guanambi, Rui Costa disse que a operação de voos comerciais em Guanambi é uma necessidade regional. “Voltando de Iuiu, eu já mandei o piloto do helicóptero sobrevoar uma área que eu desapropriarei se não resolver isso para montar a nova pista de Guanambi, mas o voo regional vai ter, nesta pista ou em outra pista Guanambi vai ter voo regional. O morro eu não posso tirar, mas outra pista mais distante  do morro eu posso construir. Se não resolver nós vamos optar por uma nova área e uma nova pista para viabilizar o aeroporto regional”, concluiu Rui Costa.

Histórico de Acidentes pode prejudicar liberação

Edição do Jornal Folha de São Paulo de 04 de fevereiro de 1992

Em cerca de 30 anos de operação, dois acidentes foram registrado no entorno do aeroporto de Guanambi. Em 3 de fevereiro de 1992, uma aeronave Embraer 110C Bandeirante da Nordeste Linhas Aéreas caiu pouco antes do pouso. A aeronave decolou de Salvador com destino à Guanambi, a queda aconteceu no município de Caetité, quando o piloto se preparava para o pouso. Segundo o DECEA, em aproximação para Guanambi, o Bandeirante entrou em vôo visual dentro da camada de nuvens, e acabou colidindo contra o paredão da serra. A navegação foi deficiente: a aeronave não deveria estar naquele ponto, naquela altitude, concluiu o relatório. Morreram todos os 12 ocupantes.

Edição do Jornal Folha de São Paulo de 21 de Maio de 1998

Em 20 de maio de 1998, um EMB 820 Navajo da Bahia Taxi Aéreo caiu antes quando se preparava para pousar. Um relatório do CEPEA concluiu que o acidente foi causado por falha do piloto.

Segundo as autoridades aeronáuticas, o acidente foi causado por um erro do piloto na seleção dos tanques de combustível da aeronave. O motor esquerdo ficou sem abastecimento e parou, o piloto perdeu o controle do avião, chocando-se contra o solo. Ele viajava em companhia de um segurança, o avião fazia transporte de malotes da região para Salvador, os dois morreram na queda.

Em conversa informal em novembro de 2017, Marcus Cavalcanti secretário de Infraestrutura da Bahia, afirmou que este histórico pode pesar contra o pedido de reconsideração das restrições feitas pelo governo do Estado à Anac.

 

 

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