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Vítimas de câncer e de outras doenças crônicas, trasplantados com risco de perder seus órgãos, e familiares protestaram nesta terça-feira (5) em frente à sede do Ministério da Saúde, na Venezuela, para exigir respostas.

Cerca de 50.000 pacientes de câncer não recebem tratamento na Venezuela, segundo a ONG Fundação para as Garantias, Prevenção e Defesa dos Direitos Humanos, à qual pertence Elizabeth Salazar, de 63 anos, paciente com metástase no seio, e é presidido por seu marido, Luis Escobar Ugas.

Afogados por uma aguda crise socieconômica, os venezuelanos sofrem uma escassez de 95% dos remédios para doenças crônicas e os hospitais funcionam com apenas 20% de material médico cirúrgico que requerem, segundo o sindicato médico.

Os manifestantes pediam uma reunião com o ministro da Saúde, Luis López, mas acabaram indo embora sem serem recebidos.

Em um comunicado, a Codevida e outras associações exigiram que o governo “adote todas as ações necessárias” para reativar programas de doação de órgãos pedidos desde maio de 2017 e que “garanta o fornecimento” de medicamentos para diferentes doenças.

As manifestações por falta de medicamentos, insumos médicos e tratamentos são frequentes na Venezuela, em meio a pedidos de abertura de “um corredor humanitário” para a chegada de fármacos do exterior.

Por lei, o Estado subsidia medicamentos de alto custo em farmácias do Seguro Social, mas a entrega é esporádica.

Os preços dos medicamentos escassos que podem ser obtidos nas redes privadas são inalcançáveis para a grande maioria da população.

“Eu tomo três medicamentos. Uma caixa de apenas um deles pode custar mais de 200 dólares”, disse Eduardo Cohen à AFP, ele recebeu um rim há 13 anos. O montante equivale a aproximadamente 140 salários mínimos mensais na Venezuela. Eduardo carregava um cartaz com a mensagem “SOS. Trasplantes em risco”.

O governo de Nicolás Maduro nega que na Venezuela haja uma crise humanitária e ultimamente atribui o desabastecimento às sanções financeiras impostas pelos Estados Unidos contra o país, alegando que prejudicam as importações.

Rejeita ainda a possibilidade de um “corredor humanitário”, por considerá-lo uma desculpa para uma intervenção estrangeira.

Com informações da AFP

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