Delton, preso em 2015 e Baú, preso nesse sábado (25). Ambos são considerados chefes de facções criminosas em Guanambi pela polícia - Reprodução

A briga de facções pelo controle do tráfico de drogas fez a taxa de homicídios crescer vertiginosamente nos últimos anos em Guanambi. O fenômeno nacional do aumento de homicídios está diretamente relacionado à essa guerra entre traficantes e a guerra travada pelo Estado na tentativa em vão de atacar o problema.

É esse mesmo Estado que proíbe o consumo das substâncias mas não consegue impedir que estes traficantes recebam suas cargas de drogas e nem seus armamentos, muitas vezes mais pesados e eficientes do que os da própria polícia. Também  promove a superlotação das prisões de traficantes de menor poder ofensivo, quase sempre pobres, negros e periféricos, flagrados com pequenas quantidades de drogas, virando as costas muitas vezes para os grandes chefes e transportadores.

Na cidade, duas quadrilhas disputam de forma mais intensa os pontos de venda de drogas e colocam a população sob fogo cruzado. Aldo Berto de Castro, o Delton, preso desde 2015 é o líder de uma dessas quadrilhas. A outra é comandada por Fabiano Almeida dos Santos, o Baú. Ele foi preso nesse sábado (25), no interior do Ceará.

Ao primeiro, até 2015, a polícia atribuía a autoria ou participação em pelo menos 50 homicídios. Ao segundo, a Polícia Civil atribuiu participação direta em 20 mortes. Estas quadrilhas possuem ramificações em outras cidades e filiação a grandes organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV).

Além das mortes ocasionadas pela disputa dos pontos de venda de drogas, também há homicídios ligados a dívidas de usuários e funcionários do tráfico com seus fornecedores ou patrões.

Dados de 1979 a 2017 são do Atlas da Violência – Os dados dos anos de 2018 e 2019 são dados da imprensa local

Segundo os dados do Atlas da Violência 2019, do ano de 1979 até 2003, morriam em média 3,6 pessoas vítimas de homicídios por ano na cidade. De 2004 a 2010, essa média subiu para 12,6 mortes. Com o acirramento do conflito, entre 2011 e 2017 a média foi para 22,3 mortes por ano. Em 2018 foram registradas 25 mortes e em 2019 foram 26.

Os números subiram depois de 2015 mesmo com a prisão de Delton e nada indica que irão cair a partir do ano que vem com a recente prisão de Baú.

As informações divulgadas pela imprensa local e pela polícia apontam que a maior parte dos homicídios está diretamente relacionada ao tráfico de drogas e às facções que as controla. As vítimas são homens, adolescentes, mulheres grávidas e até pessoas sem relação com o crime, atingidas por balas perdidas.

 

 

 

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