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A juíza Adriana Silveira Bastos concedeu entrevista à jornalista Neide Lu nesta quarta-feira (19), esclarecendo a sua decisão que culminou com a soltura de Aldo Berto Castro, o Delton, preso em 2015 e custodiado até a última terça-feira (18), na penitenciária de Serrinha, quando foi colocado em liberdade.

À época de sua prisão, a Polícia acusava Delton de participação em pelo menos 50 homicídios ocorridos em Guanambi entre 2001 e 2015.

Na entrevista exibida nesta quinta-feira (20), no programa Fala Você, da Radio 106 FM, a magistrada disse à jornalista que o ex-detento respondia a 16 processos na Justiça de Guanambi, tendo sido condenado em apenas um.

A condenação ocorreu por associação ao tráfico, sendo ele apontado como líder da organização criminosa. A juíza explicou que ele foi beneficiado por um indulto e por essa razão não poderia ficar preso por pretexto dessa condenação.

“Delton de fato foi condenado pela justiça criminal de Guanambi por crime de associação para o tráfico. Neste processo de associação, ele foi apontado como líder e condenado pela justiça criminal de Guanambi. Nesta condenação que ele estava cumprindo pena em Salvador, ele teve o benefício do indulto presidencial, ou seja, ele recebeu perdão”, disse a magistrada.

Em quatro outros processos, segundo a juíza, Delton foi um impronunciado, ou seja, a Justiça entendeu que não houve participação nos crimes de homicídio e tentativa de homicídio e ele não foi submetido ao tribunal do júri. O processo julgado recentemente era o último com mandado de prisão contra o indivíduo.

“Como existia mandado de prisão nestes processos e ele foi impronunciado, a prisão é revogada, por uma questão legal. Uma pessoa não pode continuar presa se não corre mais processo contra ela… Manter a prisão dele é ilegal”, comentou a juíza.

Em outros três, ele foi absolvido. Nos demais processos, não há mandado de prisão contra Delton segundo a Adriana Barros.

A libertação do então prisioneiro ocorreu a partir do último processo com mandado de prisão em aberto, cuja ainda não havia decisão. Foi relativo ao homicídio de César de Azevedo Santos, ocorrido no dia 30 de setembro de 2017.

No processo, polícia e Ministério Público apresentaram contra Delton uma anotação que supostamente teria sido confeccionada por ele, contendo nome de pessoas que seriam assassinadas pelos integrantes da organização criminosa da qual ele é apontado como líder.

A juíza acatou a argumentação da defesa que disse que as supostas cartas e bilhetes não possuem força probatória, pois seriam apócrifas e que não foram submetidas a exame grafotécnico, sendo indispensável a produção de prova técnica para confirmar o teor do material apreendido.

A juíza disse ainda que em um destes processo havia mandato até dezembro de 2019, no entanto a prisão foi revogada por excesso de prazo. Ela explicou que houve vários desencontros na citação do acusado, devido à dificuldade da entrada de cartas precatórias ao acusado.

“Não significa que não tem mais processos contra ele. Tem processo inclusive com audiências designadas.”

A libertação de Delton ocorreu menos de um mês da prisão de Fabiano Almeida dos Santos, o Baú, considerado pela polícia como seu maior rival na disputa por pontos de tráfico de drogas em Guanambi.

Ouça a entrevista exigida na Rádio 106 FM que começa após 1h09seg

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