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“O estigma sobre a prostituição acaba tendo como consequência a chamada invisibilidade social, o que pode vir a prejudicar o acesso das mulheres aos direitos de cidadania e à própria garantia da dignidade humana”

A prostituição é um fenômeno social transformado e caracterizado de maneiras diversas de acordo com as épocas e culturas em que se situa. Segundo um estudo da Fundação francesa Scelles, publicado como “Relatório Mundial sobre a Exploração Sexual”, atualmente mais de 40 milhões de pessoas no mundo se prostituem, sendo que 75% destas pessoas são mulheres, com idades entre 13 e 25 anos.

Para compreender tal contexto, é preciso lançar mão dos aspectos que produzem e sustentam a prática da prostituição, partindo do entendimento de que se trata de um grupo social estigmatizado e vulnerável socialmente, historicamente colocado à margem das políticas públicas de saúde e assistência social.

alfred2Este é o tema da pesquisa do discente Alfredo Baleeiro, do curso de Psicologia da Faculdade Guanambi. O estudo  busca conhecer em que sentidos e representações se dão a prática da prostituição feminina no contexto de Guanambi/ Bahia, especialmente no que diz respeito às zonas de baixo meretrício.

Trata-se de uma tentativa de identificar o perfil das mulheres que exercem o trabalho sexual, relacionando o levantamento teórico da representação social da prostituição e da vulnerabilidade social com a própria concepção das mulheres acerca da atividade exercida, propriamente como forma de confrontar os aspectos e chegar a possíveis compreensões desse contexto local.

Segundo o discente, em decorrência da estigmatização, marginalização, falta de garantia em direitos sociais e vulnerabilidade a várias formas de violência, especialmente nas chamadas zonas de baixo meretrício, torna-se necessário incluir na pauta social a problematização desses aspectos, visando o reconhecimento das mulheres prostitutas como cidadãs, as quais se devem garantir todos os direitos e proteção.

“Este reconhecimento social é o que pode combater as violações de direitos, a vulnerabilidade às DST’s e também as diversas formas de exploração sexual presentes nesse contexto. É importante também enquanto uma contribuição para a inversão do estigma histórico sustentado por uma concepção moralista e dominadora sobre as mulheres”, afirma Baleeiro.

A pesquisa, que é orientada pelo professor Weslley Valadares, será realizada no segundo semestre de 2015 e apresentada à comunidade científica no final do semestre. Trata-se de um estudo inédito na região, cuja temática ainda não foi abordada, e considerando seu caráter de levantamento de dados, poderá servir como base de outros possíveis estudos ou intervenções. O tema foi apresentado no 1º Simpósio Multidisciplinar, que aconteceu na FG, no mês de maio.

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