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Anísio Teixeira foi assassinado, defende relatório

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Tiago Marqueshttps://agenciasertao.com/
Tiago Marques é redator e editor do site Agência Sertão. Trabalha com produção de conteúdo noticioso para rádio e internet desde 2015.
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O relatório sobre as circunstâncias da morte do educador baiano Anísio Teixeira, ocorrida em 1971 (cuja versão do regime militar indicou ter sido por “acidente”), será apresentado nesta sexta-feira, 11, em Salvador pelo escritor João Augusto de Lima Rocha, professor da  Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Ele teve acesso ao Auto de Exame Cadavérico, documento encontrado recentemente,  que levanta fortes suspeitas de que Anísio tenha sido assassinado pelos agentes do regime militar.

João Rocha,  sobrinho-neto de Anísio, ex-deputado federal Haroldo Lima, o filho Carlos Antônio Teixeira e o genro, Mário Celso Gama, são autores de um memorial sobre a morte do educador que contraria a versão da ditadura, de que ele caiu no fosso do elevador de um prédio no bairro de Botafogo, no Rio.

Na apresentação desta sexta – data em que se completam  45 anos do desaparecimento de Anísio -, que acontece na Escola Politécnica da UFBA, a partir das 8h, o professor Rocha falará sobre o Auto de Exame Cadavérico do educador, desaparecido no Rio  em 11 de março de 1971, ao qual teve acesso há pouco tempo. A cópia obtida do documento de cinco páginas está parcialmente ilegível.

“A muito custo, consegui decifrar, parcialmente, em quinze dias de muito trabalho”, disse Rocha ressaltando no entanto a importância do documento enviado à família de Anísio pela Comissão Nacional da Verdade, que resgatou os documentos do regime militar.

Elevador

No dia de sua morte, Anísio saiu da Fundação Getúlio Vargas, onde trabalhava, para ir andando até a residência de Aurélio Buarque de Hollanda, no Edifício Duque de Caxias, na Praia de Botafogo. Iriam conversar sobre a candidatura de Anísio para a Academia. O educador nunca chegaria ao apartamento do amigo.

Dois dias depois, seu corpo foi recolhido do fosso do elevador, sem a realização do levantamento cadavérico pelos peritos da polícia. A autópsia foi presenciada pelo acadêmico Afrânio Coutinho e os médicos, professores da Faculdade de Medicina da UFRJ, Domingos de Paula e Francisco Duarte Neto. O laudo é assinado pelo médico João Guilherme Figueiredo.

A parte legível do laudo descreve o exame externo do corpo indicando “na região temporo-parietal esquerdo” da (cabeça) “duas feridas contíguas” medindo 28 e 43 centímetros “nos maiores diâmetros”. Na inspeção interna da cavidade craniana, o legista informa que os ferimentos provocaram um afundamento de 3 centímetros de largura por quatro de comprimento.

Em relação aos ferimentos na região do tórax, o medico constata “fratura completa dos arcos costais direitos de 1/ ao 8° na linha axilar anterior e fratura no 6° arco costal esquerdo no mesmo nível”. O laudo apresenta desenho indicando a localização dos dois ferimentos da cabeça.

No memorial, o grupo escreveu que, ao descrever as duas grandes lesões traumáticas no crânio e na região supraclavicular, o legista mostrou ferimentos “que seriam incompatíveis com a queda” no fosso. Conforme o memorial “admitiu-se que um eventual instrumento cilíndrico, provavelmente de madeira, teria causado as lesões”.

Auto do exame cadavérico de Anísio Teixeira emitido pelo Instituto Médico Legal do Rio, em 13/3/1971 (Foto: Reprodução)

Investigação

Quando prosseguia com sua descrição, o legista foi interrompido com a entrada na sala de dois funcionários da polícia, que vinham do local de onde o corpo fora retirado e, de forma categórica, afirmaram que tinha sido “morte acidental por queda no fosso”.

A partir do memorial, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) e Comissão da Memória e Verdade Anísio Teixeira, da UnB, iniciaram investigação em 2012 mas o trabalho não foi concluído. Rocha disse, no entanto, que a CNV conseguiu avançar. Obteve fotos do local onde o cadáver foi encontrado, e o Auto de Exame Cadavérico.

“Este material, não processado por ela, foi repassado à família de Anísio que, por sua vez, passou para mim, no final do ano passado, permitindo a produção do material conclusivo que vou apresentar agora”.

Rocha e a família de Anísio vão requisitar à Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, “primeiro, que reconheça Anísio Teixeira como vítima de morte suspeita, provavelmente perpetrada pelo regime militar. Segundo, solicitamos  investigação, de agora para frente para identificar quem o matou, como e por que ele foi morto”.

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