O empoderamento do leitor

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Tiago Marques
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A pós-modernidade trouxe novos paradigmas para a comunicação, a mídia tradicional precisou se adaptar às novas tecnologias para conseguir permanecer com força na produção dos significados do cotidiano. Ao mesmo tempo, o leitor que era apenas receptor passivo do conteúdo, passou a interagir e a também produzir seus próprios significados.

Na mídia tradicional pré-internet, o editor sabia o que pensavam os leitores, ouvintes ou telespectadores, através das cartas que os leitores escreviam, no entanto ele tinha o poder de decidir o que seria ou não publicado. A chegada do jornalismo na internet no início dos anos 2000 conectou cerca de 3 bilhões de pessoas e trouxe uma enxurrada de interpretações da mesma notícia, uma revolução com as proporções da invenção da prensa no século XV.

A internet de fato tirou da redação o poder de ser a única produtora dos significados no momento em que abriu espaço para que o receptor da informação comentasse as notícias. Grandes portais de notícias permitem que seus usuários façam comentários no final dos textos, estes espaços de discussões trouxeram mais fluxo de usuários e interatividade aos sites, aumentando também a possibilidade de rentabilização do jornalismo na internet, seja por assinaturas ou por publicidade. Com o advento das redes sociais no início desta década, as conexões foram fortalecidas e aumentaram o protagonismo do consumidor de conteúdo.

A democracia foi favorecida, no momento em que cada indivíduo consegue expressar e difundir suas opiniões e concepções pessoais ou políticas, não ficando isso a cargo apenas do jornal como era antes. Entretanto houve a intensificação da intolerância, do preconceito, do discurso de ódio e da difusão de notícias falsas. Ao mesmo tempo em que a internet.

Estudo de Caso

No início oficial da campanha eleitoral em agosto de 2016, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou as prestações de contas dos candidatos ao pleito municipal como faz em todo período de eleições. Uma matéria publicada pelo site da Guanambi FM trazia a declaração de bens dos candidatos aos cargos majoritários e fazia uma comparação entre as áreas das fazendas do candidato derrotado Nilo Coelho e a área territorial de Guanambi.

Em um momento em que os ânimos estavam exaltados com a proximidade das eleições, as pessoas manifestavam suas concepções na internet, a matéria serviu para colocar um pouco mais de lenha nesta fogueira.

A real relevância da informação abordada pela reportagem tem valor relativo, pois trouxe para o debate aspectos pessoais dos candidatos, utilizando-se das informações fornecidas por eles próprios ao TSE. Foi no Facebook que a publicação mais repercutiu, os diversos comentários se concentraram em dois eixos, o primeiro abordou a forma como alguém conquistam tantos bens ao longo da vida, tendo quem discorresse sobre o trabalho e capacidade empreendedora do candidato ou como que supostamente estes bens tenham sido conquistados através de meios ilegais ou imorais e sobre a concentração de renda.

O segundo eixo da discussão foi justamente a relevância desta informação, havendo argumentos de que a sua divulgação estava relacionada apenas ao interesse do veículo de produzir opiniões contrárias à candidatura.

E assim acontece diariamente em uma redação, a aproximação do leitor ajuda a moldar a abordagem da redação, do mesmo jeito que a notícia sempre tem pelo menos dois lados, a interpretação dela também é variada e é realidade na comunicação pós-moderna.

Adelane Cardoso e Tiago Marques – Teorias da Comunicação II – Professora Lana Nóbrega – Curso de Jornalismo da Faculdade Guanambi

Tiago Marques
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