(Railton Barbosa/Divulgação )

Penalizados com a redução de peixes, consequência de dez anos de chuvas irregulares e desmatamento de matas ciliares e degradação de nascentes, pescadores do Rio São Francisco voltaram a se animar neste mês de novembro com o aumento da vazão.

A notícia boa se dá pelas chuvas que têm caído, sobretudo, no norte de Minas Gerais e na região oeste da Bahia, o que influencia no aumento do nível do rio ao longo dos 266.972 Km2 do Médio São Francisco, que abrange 16 cidades baianas.

Segundo relatório desta segunda-feira (26) da Agência Nacional de Águas (ANA), na região de Bom Jesus da Lapa, no oeste, a vazão do rio está em 1.764 m3/s, e na região do lago de Sobradinho (ao norte) a vazão chega a 1.450 m3/s. Em comparação com o início do mês de novembro do ano passado, quando estava em 290 m3/s, a atual vazão em Sobradinho é cinco vezes maior. Em Sobradinho, o reservatório do lago está com 22% da capacidade – há um ano era de 3%.

Mas por enquanto ainda não há muitos peixes. Com a seca dos anos anteriores, muitos milhares deles morreram e outros tantos deixaram de se reproduzir. O pior caso foi a morte de milhares de peixes na Lagoa de Itaparica, em setembro de 2017. Mas nem se houvesse teria como pescar. É que de 1º de novembro a 28 de fevereiro de 2019 o Ibama (órgão federal) proíbe a pesca com todo tipo de malhas e outros equipamentos no São Francisco, devido à época do defeso (de reprodução dos peixes).

Nas lagoas à beira do rio a proibição vai até 30 de abril. Isso porque nessas lagoas é onde estão os berçários do rio. A maior delas, com 24 km de extensão, é a lagoa de Itaparica, entre as cidades de Xique-Xique e Gentio do Ouro, no semiárido baiano.

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Para não ficar sem renda alguma ou nem um peixe para comer, os pescadores recebem o seguro defeso do Governo Federal (salário mínimo de R$ 954) e podem pescar de anzol, mas com restrições.

O Ibama permite que eles pesquem com anzol até 5 quilos de peixes de espécies nativas e mais um exemplar de outras espécies, desde que não estejam na lista de extinção, porém o órgão admite que fiscalizar isto é um trabalho quase impossível.

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