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Tiago Marques | Agência Sertão registros de agrotóxicos

Em 50 dias, o Governo do Presidente de Jair Bolsonaro, através da Coordenação de Agrotóxicos e Afins do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, autorizou 86 pedidos de registros de agrotóxicos. São 39 componentes químicos, ingredientes de produtos que já são comercializados no país, mas que agora podem ser fabricados por outras empresas, usados na formulação de novos produtos e aplicados em novas culturas.

Somente nesta quinta-feira (21), a Coordenação de Agrotóxicos e Afins liberou 29 registros. No dia 11, foram 19 produtos registrados, em dois atos no mês de janeiro foram registrados 38 produtos. O país agora passa a ter 2.152 produtos a base de agrotóxicos liberados para comercialização, segundo levantamento da Agência Pública. O número deve continuar a crescer, pois somente esse ano, 220 novos pedidos foram recebidos pelo órgão. Em 2018 foram registrados 450 produtos, o maior número de registros de agrotóxicos em um ano.

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Além de empresas brasileiras, os registros beneficiaram empresas da China, Índia, Estados Unidos, entre outros países. Entre os produtos registrados, seis são considerados extremamente tóxicos, grau máximo de toxidade, outros 11 são altamente tóxicos. Além disso, 21 são considerados muito perigosos para o meio ambiente e um é considerado altamente perigoso. Produtos como o Imazetapir e o Hexazinona estão na lista dos registrados. Eles tiveram a comercialização reprovada na União Europeia por serem considerados muito tóxicos.

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Em resposta à Agência Pública no início do mês, o Ministério da Agricultura garantiu que a análise técnica dos produtos foi concluída ainda em 2018. E reconheceu a estratégia de ampliar o mercado nacional. Sobre o número alto de deferimentos, o órgão explica que o aumento no número de registros “visa promover concorrência entre as empresas no mercado e também diminuir o tempo necessário para deferir um agrotóxico ou afim”.

Os registros foram publicados nos dias 9 de janeiro (28), 17 de janeiro (10), 11 de fevereiro (19) e 21 de fevereiro (29).  Para chegar ao mercado, esses produtos precisam do aval do Ministério da Agricultura, Ibama e da Anvisa, todos esses procedimentos duram em média cinco anos.

Segundo estudos de entidades que atuam contra o uso de agrotóxicos, no Brasil são consumidos 7,3 litros por pessoa a cada ano nas lavouras. Pesquisas relacionam o uso de agrotóxicos a desenvolvimento de câncer em agricultores e em consumidores dos produtos.

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