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Representantes do governo federal, empresários e pesquisadores defenderam hoje (24) medidas para estimular a digitalização do país em diversas áreas, da indústria à gestão pública. As propostas foram discutidas no evento TecForum, que reúne o setor da tecnologia da informação e representantes de governo durante esta semana em Brasília.

O secretário executivo do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Júlio Semeghini, disse que é necessário avançar na geração de inovações como parte do processo de transformação digital.

Segundo ele, o ministério tem trabalhado para ir além de pesquisas básicas (como os estudos realizados em universidades) e focar em tecnologias em estágio mais maduro, de modo a acelerar sua transformação em inovação e aplicação prática no mercado.

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“Temos que saber como conduzir as grandes pesquisas básicas para que passem pelas etapas e cheguem até a população”, defendeu. Semeghini informou que o ministério deu mais espaço a tecnologias aplicadas, como inteligência artificial – considerada uma das principais inovações da transformação digital.

Formação de trabalhadores

O Brasil ainda esbarra em obstáculos no campo das tecnologias digitais. O presidente do conselho da Totvs, Laércio Consentino, elencou como desafio a formação de trabalhadores nas áreas de exatas, mais especificamente de carreiras tecnológicas (como engenharias e ciência da computação).

“A gente está muito aquém do que precisa fazer. Formação é em exatas. A gente precisa de pessoas que consigam conectar com programação, algoritmos, inteligência de dados. Pessoas que tenham base de exatas e que consigam desenvolver artefatos de software”, defendeu.

Infraestrutura

A vice-presidente de assuntos corporativos da Vivo, Camilla Tapias, defendeu mudanças na legislação de telecomunicações com o objetivo de ampliar os investimentos em infraestrutura. “A gente tem barreiras que travam investimentos. Setor requer esses grandes investimentos. Estamos entre os países que mais investem em telecomunicações. Mas o retorno financeiro está muito baixo”, avaliou.

A executiva se referiu ao Projeto de Lei da Câmara (PLC) 79 de 2016, em tramitação no Senado Federal. O PLC prevê mudanças como a transformação das concessões das operadoras que exploram as redes públicas do antigo Sistema Telebrás (privatizado em 1998) em autorizações, com menos obrigações, e o repasse da infraestrutura do sistema para essas empresas em troca de metas de investimento. O tema é alvo de polêmicas no parlamento.

O secretário de Telecomunicações do MCTIC, Vítor de Oliveira Menezes, também defendeu a aprovação da matéria. “Precisamos que cidades tenham infraestrutura. Grandes cidades têm, mas vilas, áreas urbanas isoladas não têm essa infraestrutura”, comentou.

Segundo Menezes, ainda há municípios e localidades que não tem acesso à telefonia móvel, problema que deveria ser atacado. O secretário ponderou que apesar de o Brasil ter 52% dos lares com acesso à internet, há desigualdades no acesso e a maioria destas conexões é por redes móveis (smartphone).

“Há um hiato entre áreas urbanas e rurais. E a maior parte do acesso é via celular. E isso para inclusão digital não é o melhor. Para todo este mundo que está chegando para nós de atividades conectadas, precisamos de uma infraestrutura melhor. Somente celular não vai garantir inclusão digital que queremos ter”, argumentou.

Ele apresentou alguns projetos que o ministério está preparando. Um deles é a implantação de redes nas regiões Norte e Nordeste, em parceria com pequenos provedores. O objetivo é oferecer conectividade a áreas hoje pouco ou não atendidas por operadoras de telecomunicações. Outro projeto diz respeito à criação de fundos garantidores para que pequenos provedores de acesso à web possam financiar a expansão de suas redes.

Fonte:  Jonas Valente – Repórter Agência Brasil

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