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A autodeclaração do estudante branco e de cabelos ruivos que conseguiu uma vaga no curso de medicina na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) através de cotas raciais foi considerada irregular pelo procedimento de Sindicância instaurado pela universidade.

Segundo informações da Uesb, em comunicado divulgado nesta segunda-feira (10), após o período de recesso acadêmico e férias dos estudantes e professores, a universidade vai definir os membros que vão compor a Comissão Processante, que terá um prazo de 60 dias para apresentar seu relatório e suas conclusões.

De acordo com a universidade, Michelson Mendonça da Silva foi aprovado no Vestibular Uesb 2019 e convocado para matrícula, no qual os aprovados para ingresso no segundo período letivo deveriam se apresentar de 9 a 12 de setembro de 2019, com aulas tendo início no dia 20 de janeiro deste ano.

Essa forma de ingresso de alunos que concorrem a cotas raciais é cercada de polêmicas na Bahia, e já foi alvo de críticas também na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), onde pessoas brancas entraram em medicina pelas cotas raciais.

Por conta disso, a UFMG passou a adotar a averiguação presencial das autodeclarações no vestibular de 2019 por meio de uma banca. No mesmo ano, UFBA (Universidade Federal da Bahia), também por conta de tentativas de fraude, implantou o mesmo sistema de verificação.

Segundo a UFBA, “a verificação é pelo caráter fenotípico, não é ascendência, pois entende-se que, no campo das relações sociais no Brasil, a questão do racismo focado no fenótipo é muito mais forte do que o racismo calcado em origem ou outros elementos, como religião e cultura”.

O estudante investigado tem entendimento contrário do da UFBA. Mesmo dizendo ser ruivo, ele se considera pardo porque tem uma avó negra.

“A questão étnico-racial é de identidade cultural, de como a pessoa se vê em sua comunidade”, disse Silva.

“Em minha parte, não há nada ilegal, fiz tudo baseado no edital [do vestibular da Uesb], já esclareci à universidade. Não tenho o que temer disso aí”, ele afirmou, ao se referir ao processo administrativo. “Só eu nasci ruivo na família”.

Silva afirmou ainda que, antes de se matricular, ainda ligou para a Uesb para perguntar se teria alguma averiguação sobre a autodeclaração. “Disseram que é questão de etnia, que ninguém vai apurar questão fenotípica nenhuma”.

Via G1 Bahia.

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