Morreu nesta quarta (19) em São Paulo o cineasta José Mojica Marins, ao 83 anos, em São Paulo.

Conhecido como o Zé do Caixão, ele estava internado no hospital Sancta Maggiore devido a uma broncopneumonia. Sua morte foi confirmada pela sua filha Liz Marins à Folha.

Nascido em uma sexta-feira 13, Mojica é considerado um dos mestres do terror mundial. Originalmente sua obra foi desprezada pela crítica brasileira.

O apelido de Zé do Caixão veio do seu personagem mais famoso. Surgido em um pesadelo do cineasta, ele era um agente funerário sádico que aterrorizava uma pequena cidade, desejoso de ser pai de uma criança perfeita. Para isso, precisava encontrar uma mulher tão perfeita quanto —e estava disposto a matar quem cruzasse o seu caminho.

O personagem apareceu pela primeira vez em 1964, em “À Meia-Noite Levarei Sua Alma”. O longa foi um sucesso de bilheteria, e permitiu não só que o diretor pagasse dívidas pessoais como o tornasse um dos mais nomes mais conhecidos da Boca do Lixo. Dois anos depois, “À Meia-Noite” ganhou uma continuação: “Esta Noite Encarnarei seu Cadáver”.

Pouco depois, em 1968, é a vez de Mojica dirigir “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”. O filme combina três contos, sobre um fabricante de boneca cujas criações são assustadoramente humanas, um homem necrófilo, e um pesquisador que prova que o amor está morto —curiosamente, o personagem icônico não está em nenhum deles.

No mesmo ano, ele estreia uma série na TV Tupi com o mesmo nome. É uma versão de um programa da TV Bandeirantes que ele tinha estreado em 1967, em que, na pele de Zé do Caixão, punha os alunos de sua escola de interpretação para atuar em tramas assustadoras. Na Tupi, porém, o programa perde a verve realista e ganha um tom mais surrealista, onírico.

A mudança não agradou os telespectadores, conta André Barcinski na biografia de Mojica, “Maldito”. Para tentar recuperar a audiência, Abujamra chegou a sugerir a inclusão de um poema de Pablo Neruda. Zé do Caixão não se segurou: “Poesia? Isso é coisa de viado?”. Foi demitido três meses depois.

Via Folha

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