O Home Office (escritório em casa) decorrente do distanciamento social pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19) vem promovendo cenas inusitadas de deputados federais, que realizam sessões virtuais, por meio de videoconferência.

Uma sessão remota da Câmara dos Deputados sobre a Medida Provisória (MP) da carteira de trabalho verde e amarela que começou às 16h, desta terça-feira (14), se estendeu até a madrugada, e o deputado federal, Charles Fernandes (PSD-BA), foi flagrado em um vídeo levantando de sua cama após um cochilo.

O parlamentar informou a coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, que cochilou mesmo durante a sessão, no entanto, segundo ele, não houve interrupções na votação. “Eu dei uma cochilada mesmo, mas eu votei em todas. Não ficou nenhuma sem votar”, disse Charles.

“Começamos tarde e você fica ali sentado ouvindo e o cansaço bateu, foram muitas horas seguidas de votação”, acrescentou.

Charles Fernandes está em sua residência, em Guanambi, onde já foi prefeito. Ele explica que não desliga a câmera durante as sessões, mas às vezes se afasta para dar uma “recostada”, quando fica acompanhando apenas o áudio da chamada. “Apanhando um mosquito aqui e ali, mas acompanhando a sessão”, pontua.

O deputado afirma que “o Congresso nunca trabalhou tanto como agora”. “Na semana passada, a gente trabalhou até sexta-feira”. Em situações normais, as sessões ordinárias da Câmara acontecem de terça a quinta.

Na respectiva sessão, o deputado baiano votou contra a medida provisória, porém a MP foi aprovada.

O cochilo fez parte de uma reportagem do Jornal da Band, veiculado em rede nacional. A reportagem apresenta ainda outras garfes praticadas por políticos durante os Home Office.

Na semana passada, um outro parlamentar guanambiense ganhou as manchetes. Zaqueu Rodrigues (DEM), presidente da Câmara de Vereadores, viralizou após dizer durante uma sessão que o coronavírus é “inseto de outro planeta“.

De acordo com a Agência Câmara de Notícias, o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, na madrugada desta quarta-feira (15), a Medida Provisória 905/19, que cria o contrato de trabalho Verde e Amarelo. Aprovada na forma de uma emenda do relator, deputado Christino Aureo (PP-RJ), a medida precisa ser analisada ainda pelo Senado. A MP perde a vigência no próximo dia 20.

Entre outros pontos, o texto prevê incentivo para o primeiro emprego, com a redução de encargos trabalhistas; considera acidente de trabalho no percurso casa-emprego somente se ocorrer no transporte do empregador; e coloca acordos coletivos acima de jurisprudência e súmulas do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

O dispositivo que estendia o trabalho aos domingos e feriados a todas as categorias foi retirado e mantido o pagamento do abono do PIS/Pasep somente com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, desistindo de estender a todos os bancos privados.

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