Leitor Agência Sertão

O sábado (18) foi movimentado próximo à barragem de Ceraíma. Muita gente compareceu ao local para contemplar a barragem com 99% de sua capacidade ocupada e acabou ocorrendo aglomerações, não recomendadas no momento por conta da pandemia do novo Coronavírus.

Apesar do aviso da Codevasf de entrada proibida, muitas pessoas passaram por um buraco na cerca para entrar na área da barragem. O órgão recuperou a cerca para impedir a entrada de pessoas no local. A circulação de pessoas é proibida devido ao risco de acidentes, uma vez que o maciço de proteção da barragem não foi construído para suportar movimentação constante de pessoas.

A Codevasf disse ainda que solicitou apoio da Polícia Militar e da prefeitura para garantir a segurança da barragem e das pessoas que vão até o local.

Do lado de fora, muitos carros e algumas pessoas consumindo bebidas alcoólicas, desrespeitando as orientações de isolamento social em decorrência da Pandemia no novo Coronavírus (Covid-19). Com os carros parados às margens da pista estreita, em alguns instantes o fluxo de veículos causava engarrafamentos na rodovia que liga a barragem a Guanambi.

A movimentação no local começou na quarta-feira (15), após chuvas intensas em toda a região. Desde então, a curiosidade tem sido grande para contemplar a cena não vista desde 1992, quando a barragem atingiu 100% de sua capacidade pela primeira vez. Em 2016, a curiosidade foi a mesma depois que a barragem ficou a 0,90 m de sua capacidade total.

Desde domingo (12) até o fim da tarde deste sábado (18), o nível da barragem de Ceraíma subiu 1,07 metros, estando a apenas 11 cm de atingir seu vertedouro, o que corresponde a quase 99% da capacidade. Na sexta-feira (17), o nível da barragem estava 4 cm mais baixo.

Nível na tarde deste domingo (19)

Neste domingo, choveu nas vertentes do rio Carnaíba de Dentro, porém em volumes menos expressivos. No Centro de Guanambi, o pluviômetro da Agência Sertão registrou 1 mm.

Os modelos meteorológicos apontam quem não deve voltar a chover de forma intensa na região nas próximas semanas, podendo ainda ocorrer pancadas localizadas. No entanto, caso chova e a barragem venha a atingir sua capacidade máxima, é pouco provável que ocorra alagamentos como os ocorridos em 1992, uma vez que o período chuvoso está no final, ao contrário do ocorrido no passado, quando a cheia ocorreu no final de janeiro e choveu bastante após o vertimento.

A expectativa dos moradores do distrito foi grande em torno do possível vertimento, ou do sangramento da barragem com é popularmente falado na região. A última vez que isso aconteceu foi em 28 de janeiro de 1992.

O período chuvoso iniciado em outubro foi bastante significativo para a recuperação da barragem. No início de dezembro, o armazenamento era de 58%, tendo aumentado quase 21 milhões de metros cúbicos no período. Em Guanambi, à jusante de Ceraíma, o acumulado no período registrado pelo pluviômetro da Agência Sertão no centro da cidade é de 796 mm.

Moradores das regiões dos distritos de Morrinhos, em Guanambi, e Guirapá, em Pindaí, registraram acumulados variando superiores a 1.100 mm. São nessas localidades que estão localizadas as principais vertentes do rio Carnaíba de Dentro.

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A última vez que a barragem ficou próxima de atingir a sua capacidade máxima foi em 2016. Na ocasião, seu nível ficou a 0,82 metros do vertedouro no fim do mês de janeiro. Entretanto, naquele ano, não ocorreram mais chuvas significativas nos meses seguintes.

Fonte: Codevasf

Construída na década de 1960, a Barragem de Ceraíma armazena a água usada na produção agrícola do perímetro irrigado do distrito de mesmo nome, principalmente na fruticultura. No final da década passada, a barragem passou por sua maior seca, chegando próximo ao volume morto, interrompendo a atividade de irrigação no local.

Em 2019, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) concluiu a revitalização do perímetro de irrigação e os proprietários dos 112 lotes voltaram a ter água para tocar suas atividades.

As recentes chuvas também contribuíram para o aumento do nível do reservatório da barragem do Poço do Magro, que chegou a 66% de sua capacidade.

 

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