Foto: HGG

O Governo do Estado, através da Secretaria do Planejamento (Seplan), implantou um túnel de desinfecção desenvolvido pelo Senai-Cimatec no Hospital Geral de Guanambi (HGG). O equipamento é para o uso exclusivo dos profissionais de Saúde, devidamente paramentados com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

De acordo com a diretora do HGG, Paula Melo, o túnel de desinfecção é um projeto experimental e está instalado no HGG, no entanto, ainda não tem uma demanda exacerbada no que diz respeito ao atendimento à Covid-19. Então, por sua vez o túnel de desinfecção, embora esteja instalado, não está em uso para fins aleatórios. Apenas será utilizado se necessário para desparamentação das roupas privativas ao atendimento da covid-19, seguindo a recomendação do próprio túnel de desinfecção.

Ainda conforme a diretora, o equipamento não é recomendado para profissionais em geral, nem tão pouco para pacientes ou visitantes. Só é recomendado para os profissionais paramentados no enfrentamento ao coronavírus.

Os túneis foram desenvolvidos sob a supervisão do infectologista Roberto Badaró, pesquisador chefe do Instituto de Tecnologia da Saúde do Senai-Cimatec. O desinfetante hipoclorito é recomendado e utilizado, por décadas, para uso na desinfecção de superfícies de ambientes hospitalares e domiciliares, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e órgãos internacionais de Saúde, com eficácia comprovada para o novo Coronavírus.

Com o túnel instalado no HGG, 42 unidades de Saúde em toda a Bahia já contam com o equipamento.

Cremeb se posicionou contrário ao uso do equipamento

Em 15 de maio, o Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb) emitiu parecer onde se posiciona contrário ao uso do túnel de desinfecção. Segundo a entidade, o procedimento de passar pelo equipamento não encontra fundamentação científica e coloca seus usuários sob risco.

O Cremeb diz ainda que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Conselho Federal de Química alertaram e a Câmara Técnica de Medicina do Trabalho do conselho ratificou que não existem dados de segurança no que se refere a dose, concentração e frequência de utilização de produtos químicos (peróxido de hidrogênio, hipoclorito de sódio, amônia quaternária ou ozônio) para utilização direta em pessoas. A situação pode acarretar ainda uma maior susceptibilidade individual e risco de desencadeamento de reações de sensibilidade dérmica e respiratória.

Por essa razão, o órgão recomenda que todas estas câmaras de desinfecção sejam imediatamente desinstaladas dos serviços de saúde e que venham a ser utilizadas apenas em protocolos de pesquisa, registrados em Comitês de Ética em Pesquisa e que seus usuários o façam após autorizarem ser participantes da pesquisa.

Por fim, o conselho diz ainda que “o gasto na instalação de tais equipamentos não se justifica segundo as normas da moralidade pública, a menos que em protocolos de pesquisa” e ainda conclama aos poderes públicos e à sociedade para que evitem utilizar tais equipamentos em vias públicas, e que não façam aquisição de tais equipamentos (ainda que por doação) e denunciem a utilização inadequada e danos decorrentes de tais produtos.

Clique aqui e leia a íntegra do Parecer emitido pela Câmara Técnica de Medicina do Trabalho do Cremeb.

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