Nelson Pretto | UFBA

Com a pandemia do novo coronavírus, diversas rotinas pessoais e profissionais foram paralisadas para tentar conter o avanço do vírus em diversas partes do mundo. As aulas presenciais, tanto nas escolas públicas quanto nas particulares, são um dos exemplos das várias dimensões  que foram afetadas. Desde março, alunos da educação pública em diversos estados brasileiros, por exemplo, estão sem aula, enquanto alunos de escolas particulares, especialmente aquelas que atendem à camadas mais altas da sociedade, dão seguimento aos estudos por meio do ensino remoto e aulas a distância.

Segundo a Unesco, 300 milhões de alunos em três continentes foram afetados com o fechamento das escolas. No Brasil, não foi diferente, milhares de alunos de escolas públicas seguem sem aulas presenciais. Segundo Ademar Batista, presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares, no país “nós paramos muitos dias, as escolas pararam, principalmente, as escolas públicas porque as privadas não parou, fez ensino remoto, mudou de lugar, mas assim para o Brasil como um todo, a gente vai ter um prejuízo grande na formação das crianças e dos jovens, ou seja, vai aumentar bastante essa diferença que já existe da escola privada para escola pública”.

Os dados da pesquisa TIC Educação 2019 confirmam a dificuldade de implantação  do ensino remoto e à distância nas redes públicas: 9% dos alunos das escolas particulares não têm acesso a tablet ou computador em casa, enquanto nas escolas públicas esse índice é de 39%. Já no quesito acesso a internet, 3% dos alunos em redes particulares acessam a internet exclusivamente pelo celular, já na rede pública são 21%.

Para Sérgio Eckerman, diretor da Faculdade de Arquitetura da UFBA, são muitos os questionamentos sobre como ficará o futuro das aulas presenciais: “Do ponto de vista arquitetônico, qual o futuro da escola, da educação, da universidade? Seremos capazes de pensar no rompimento do paradigma da sala de aula? Certamente, seremos instados a pensar um espaço educacional capaz de absorver atividades de maneira mais lúdica, de uma forma mais flexível, e num outro conceito de presencialidade.”

Polêmicas Contemporâneas em casa, uma disciplina-evento oferecida pelo Departamento de Educação II da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia, discutirá na próxima segunda-feira (5) “O futuro das aulas presenciais”, e contará com a participação de Bruno Barral, secretário de educação de Salvador, Ademar Batista, presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares, Alysson Mustafa, coordenador geral do SINPRO-BA, Yalle Tárique, estudante do 2° ano, e sua mãe, historiadora e cantora, Rebeca Tárique, Ricardo Texeira, médico e professor da USP, e Natália Figueroa, professora  do colégio CEEP Isaías Alves.

A transmissão é aberta e livre e pode ser acompanhada no Canal Polêmicas Contemporâneas em http://www.polemicas.faced.ufba.br/.

Yasmin Santos, projeto Sê Livre/UFBA, estudante de Comunicação da FACOM/UFBA.

*Este texto faz parte do projeto “Polêmicas contemporâneas em casa”, da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (Ufba). A Agência Sertão atua como veículo parceiro na divulgação dos conteúdos.

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