Foto: Leitor Agência Sertão

Um incêndio de grandes proporções esta consumindo toda a vegetação do Parque Nacional Grande Sertão Veredas (Parna), no município de Cocos, na Bahia. Desde o início do principal foco, no dia 30, o fogo avançou mais de 60 quilômetros pelo Gerais e atingiu nesta quinta-feira (8), o território do município de Formoso, no Norte de Minas. Na semana passada, um outro foco já havia chegado ao município de Chapada Gaúcha, também no norte mineiro.

As chamas consomem a vegetação desde a margem esquerda do rio Carinhanha, na divisa com Minas Gerais, até a margem direito do rio Formoso, próximo à divisa com Goiás. Já o rio Itaguari, cuja bacia fica entre os dois rios, teve boa parte de sua mata ciliar destruída pelo incêndio.

Segundo Ernane Faria, chefe do Parque Nacional, Brigadistas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) trabalham na área desde o surgimento dos primeiros focos no intuito de tentar evitar o avanço das chamas. Brigadas de fazendas vizinhas também trabalham na localidade. Eles contam com apoio de tratores e até de uma avião agrícola para combater as chamas. Uma equipe do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo) também está no local ajudando nos trabalhos.

Já o Governo do Estado da Bahia ainda não enviou ajuda. No início da semana, Pablo Rabelo, coordenador do Programa Bahia Sem Fogo, da Secretaria de Meio Ambiente do Estado da Bahia, disse que o Corpo de Bombeiros estava se mobilizando para ir até Cocos ajudar a controlar os incêndios. Até a manhã desta sexta-feira (9), os homens e equipamentos ainda não havia chegado.

Ernane explica que o trabalho tem tido bons resultados na realização de aceiros para proteger as nascentes do rio Itaguari, no entanto, o avanço do fogo pelas demais áreas do parque está sendo difícil de controlar.

Brigadistas do ICMBio fazendo aceiros para proteger as nascentes do rio Itaguari

A dificuldade de acesso e o tempo seco agravam a situação. Nesta quinta-feira, as temperaturas ficaram na casa dos 40ºC na região e a umidade relativa do ar chegou a baixar para menos de 15%.

Segundo as informações do Parque Nacional e os dados das imagens de satélite disponibilizadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o fogo já consumiu pelo menos 50 mil hectares da área de preservação ambiental. O total queimado corresponde a cerca de 40% dos 130 mil hectares da área do Parque localizada em território baiano. No território mineiro, pelo menos 2 mil hectares foram destruídos pelo fogo neste primeiro dia de incêndios.

Fora da área do Parque, dentro do município de Cocos, pelo menos mais 80 mil hectares foram destruídos em uma série de incêndios ativos desde a semana passada. Nesta quinta, a cidade amanheceu encoberta pela fumaça das queimadas.

Segundo o Inpe, Cocos é o segundo município baiano com mais focos de incêndio registrados este ano, 8578 até a manhã desta sexta-feira. No mesmo período de 2019 foram 3.848, aumento de 123%. O primeiro é Formosa do Rio Preto, com quase 10 mil focos.

A meteorologia prevê pancadas de chuva a partir de domingo (11) no município de Cocos. No entanto, os volumes esperados são baixos e podem ser insuficientes para acabar com os focos.

Parques Nacional Grande Sertão Veredas

Divulgação / ICMbio

O Parque Nacional Grande Sertão Veredas ocupa uma área de quase 232 mil hectares, nos municípios de Chapada Gaúcha, Formoso e Arinos, no estado de Minas Gerais e Cocos, na Bahia, onde fica cerca de 56% de todo o seu território.

A unidade de conservação é considerada de excepcional importância ecológica (biodiversidade e recursos hídricos) e cultural, consolidando-se como uma das mais importantes áreas preservadas da região conhecida como Gerais, do bioma Cerrado.

O Parque Nacional Grande Sertão Veredas foi criado em 1989, com uma área de 83.364 hectares. Em 2004, o parque foi ampliado passando a ter uma área total de 230.671 hectares.

O nome, é uma homenagem a uma das mais importantes obras literárias brasileiras, o romance Grande Sertão Veredas, de João Guimarães Rosa, que retrata com extrema sensibilidade a realidade regional onde a unidade está inserida, repleta de passagens que descrevem os locais, a relação do homem com a natureza e as características culturais, ainda hoje encontradas.

Além de proporcionar a proteção de diversas espécies da flora e da fauna, algumas ameaçadas de extinção, e de ecossistemas típicos do Cerrado, o Parque objetiva, também, a pesquisa científica, a educação ambiental, a recreação em contato com a natureza e o estímulo ao desenvolvimento regional em bases sustentáveis.

Sob responsabilidade do ICMbio, o Parna tem sede localizada no município de Chapada Gaúcha/MG, com acesso partindo de Arinos, São Francisco, Januária ou Montalvânia, sendo que destas, a única estrada pavimentada é por Arinos.

(veja mais informações sobre o Parque)

 

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