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Baianos criam escola para ensinar sobre importância das abelhas

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Rarisson da Silva Lima, de 37 anos, e Ana Paula Santos Silva, de 41, se conhecem desde a infância. Ambos cresceram no povoado de Riacho da Onça, no município de Queimadas, na região centro-norte da Bahia. Juntos fundaram o Meliponário Escola Polendurado, um local onde criam e ensinam sobre a cultura de abelhas, em especial as sem ferrão, insetos essenciais para a polinização das plantas e biodiversidade.

“Meliponário” é uma coleção de colmeias de abelhas sem ferrão (Meliponíneos) de vários tipos. Conhecidas também como “abelhas sociais”, na verdade elas têm o ferrão atrofiado e não oferecem riscos ao ser humano. Uma dessas espécies é nativa do Brasil, a abelha conhecida como “uruçu”. A criação de abelhas sem ferrão é chamada meliponicultura.

Para Rarisson, o cultivo dessas abelhas carrega um valor muito grande, para além da fonte de renda. Ele explica que a escola carrega o objetivo de ensinar para as pessoas sobre a importância desses insetos na preservação da vida e da biodiversidade. “Não adianta cada um só fazer a sua parte, a gente tem que ensinar uns aos outros. Sem abelhas no mundo, o planeta só teria quatro anos de vida”, ressalta.

De acordo com uma pesquisa do Ibope, em outubro de 2015, 78% da população brasileira desconhecia a importância das abelhas. Elas são responsáveis por mais de 85% da polinização das plantas com flores das matas e 70% das culturas agrícolas. “Muitas espécies de abelhas passam despercebidas, mas as mais agressivas geralmente são mortas. Muita gente quando encontra um enxame joga gasolina para destruir”, lamenta.

Em todo o mundo, há diferentes tipos de abelhas. Algumas produzem mel, outras não, mas todas o carregam consigo o papel polinizador.

As abelhas que fazem o mel são conhecidas como abelhas Apis melíferas, cujo mel é mais espesso e conhecido pelas pessoas. No entanto, também há abelhas produtoras de mel dentro da tribo Meliponini (sem ferrão). Neste caso é um mel diferente, menos abundante e mais líquido, tradicionalmente usado para fins medicinais.

A Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A.) disponibiliza um mapa interativo onde é possível encontrar as principais espécies de abelhas em ferrão cultivadas por região no Brasil. Na Bahia, as principais espécies são monduri, mandaçaia, uruçu, jandaíra e jataí. Rarisson explica que as diferentes espécies têm também diferentes hábitos nas colmeias. “Elas têm diferentes personalidades. Sabe aquele cara trabalhador, que acorda pra ir pra roça 5h da manhã? Têm abelhas desse perfil. E têm outras que só vão sair de casa 10h da manhã [para coletar néctar nas flores]”, brinca.

As abelhas também podem ser do tipo “sociáveis” ou “solitárias”. O primeiro grupo é o que se organiza em colmeias, o segundo, mais abundante no meio ambiente, vivem sozinhas ou em pequenos grupos. As solitárias são tão importantes na polinização quanto as que vivem em sociedade, pois algumas plantas só são polinizadas por abelhas solitárias.

Quanto ao tipo de mel, as variedades estão relacionadas tanto com a espécie da abelha produtora, quanto com as características da matéria prima que elas coletam para a fabricação.

Por causa da pandemia, as visitas ao Meliponário Escola Polendourado são realizadas através de agendamento. O espaço funciona de terça-feira à domingo, e os horários são marcados pelo whatsapp, (75) 99816-2374, ou redes sociais.

A visita guiada, com prova de mel e certificado, custa R$ 20. Sem certificado custa R$ 10, uma ajuda de custo para manter o espaço. Além das visitas, o local também se mantém com a venda de todo tipo de produto relacionado com a criação de abelhas e com prestação de consultorias.

Os gatos de estimação da família dormem na casa das abelhas — Foto: Arquivo pessoal

Rarisson e Ana Paula cresceram na mesma rua. Tiveram um namoro juvenil quando ele estava com 18 anos, e ela 21. Mas a relação durou pouco mais de um ano e terminou quando Ana Paula se mudou para Salvador, e Rarisson foi para Brasília.

O destino os uniu novamente nove anos depois, quando Ana Paula foi fazer um curso na capital do Distrito Federal, onde os dois se reencontraram e acabaram reatando o relacionamento. Eles se casaram cerca de seis meses depois e estão juntos desde 2013.

“Nós fomos criados na mesma rua, no mesmo interior. Namoramos na infância, ela foi embora para Salvador e eu fui para Brasília…e nove anos depois, nos reencontramos e casamos”, conta Rarisson.

A história poderia terminar por aí, mas tem outros capítulos. Em 2017, Ana Paula descobriu que estava com câncer de colo de útero, e o processo de enfrentar a doença foi bem complicado para o casal. Eles eram proprietários de uma fábrica de móveis em Queimadas, mas Ana Paula teve que se afastar para tratar a doença.

Neste período, Rarisson assumiu a gestão da empresa sozinho e acabou sobrecarregado. Ele conta que começou a se interessar pela criação de abelhas e a importância delas na biodiversidade também como uma forma de lidar com a doença da esposa e refúgio para a sobrecarga no trabalho. “As abelhas foram a minha ‘salvação psicológica’ após o câncer da minha esposa”, relembra Rarisson.

O período difícil, que durou cerca de um ano, foi crucial para ideias sobre questões da existência humana. Ana Paula conta que, aos poucos, eles foram percebendo que a vida é muito curta para continuar trabalhando com algo que já não fazia mais sentido para os dois.

O processo, que começou com o cultivo de algumas abelhas, culminou na decisão de deixar Queimadas e abrir um espaço para ensinar na prática sobre a biodiversidade, o meliponário escola Polén Dourado, no município de Mata do São João, na região da Praia do Forte. “A gente veio para cá com o propósito de instruir as pessoas, desde as crianças, que são nosso foco principal. Elas aprendem e ensinam para o resto da família. E também não esquecem, quando são ensinadas na prática”.

O casal também gosta de fazer alguns vídeos engraçados sobre o relacionamento e o cultivo de abelhas nas redes sociais. Normalmente com Rarisson se gabando por ser engenheiro de “grandes condomínios” e proprietário de “grandes empresas”.

Os vídeos também são uma forma de dar mais visibilidade para o meliponário e para o cultivo das abelhas nativas, grande paixão do casal. “Eu tinha medo das Apis [abelhas com ferrão], mas quando o Rarisson me falou ‘olha só essas abelhas sem ferrão’, foi amor à primeira vista”, brinca Ana.

*Reportagem do G1

Confira também: Palestras do Seminário da Cadeia Produtiva do Mel de Guanambi 




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