O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) promove, na próxima terça-feira, 28 de outubro, em Guanambi, um evento especial para celebrar os 15 anos do Parque Estadual da Serra dos Montes Altos (PESMA) e do Refúgio de Vida Silvestre da Serra dos Montes Altos (REVISMA). A cerimônia acontecerá na Câmara de Vereadores, reunindo autoridades, pesquisadores, instituições parceiras e representantes da comunidade local.
As duas Unidades de Conservação (UCs), localizadas no sudoeste da Bahia, simbolizam um importante marco na proteção da biodiversidade e do patrimônio histórico-cultural da região. Criadas a partir de uma mobilização popular, elas se tornaram referência em conservação ambiental, educação e pesquisa científica.
O Parque Estadual, criado em 2009, tem como missão preservar ecossistemas essenciais e garantir a sobrevivência de espécies ameaçadas, como o cachorro-vinagre (Speothos venaticus) — um dos mamíferos mais raros do bioma. Já o Refúgio, instituído em 2010 e integrado ao Parque, abrange uma área de transição entre a Caatinga e o Cerrado, o que lhe confere uma das maiores diversidades biológicas do semiárido baiano.
Além de sua importância ambiental, o território abriga riquezas arqueológicas únicas, com vestígios de ocupações humanas que remontam a 12 mil anos atrás. Pinturas rupestres da Tradição Nordeste, feitas com pigmentos minerais em tons de vermelho, preto, branco e amarelo, revelam aspectos culturais e simbólicos dos povos antigos. Também há registros arqueoastronômicos com mais de 3 mil anos, aldeamentos da Tradição Aratu (possivelmente do século XII) e indícios históricos dos séculos XVIII e XIX, que comprovam a longa presença humana na região.
Biodiversidade e participação social
Segundo Lailton Fernandes, gestor do Parque e do Refúgio, a criação das unidades foi resultado direto da atuação da própria comunidade.
“Essas áreas nasceram de um desejo coletivo de proteger a biodiversidade local. A Serra dos Montes Altos é um território de transição ecológica riquíssimo, com inúmeras cachoeiras, nascentes e formações geológicas. Nosso trabalho é garantir que tudo isso continue existindo para as próximas gerações”, destacou.
Fernandes informou que já foram catalogadas cerca de 150 cachoeiras e diversos sítios arqueológicos e arqueoastronômicos, incluindo antigas casas de pedra pré-coloniais. As duas unidades somam aproximadamente 40 mil hectares de área protegida e abrigam espécies ameaçadas como onça-parda, onça-pintada, jaguatirica e cachorro-vinagre, além de espécies endêmicas da flora local.
Patrimônio natural e cultural da Bahia
Para Jeanne Florence, diretora de Sustentabilidade e Conservação do Inema, o Parque e o Refúgio representam muito mais do que espaços de proteção ambiental.
“São territórios estratégicos para a preservação da biodiversidade e para o reconhecimento do nosso patrimônio histórico e cultural. Cuidar dessas áreas é também investir em qualidade de vida e em um futuro mais equilibrado para todos”, afirmou.
O Refúgio de Vida Silvestre da Serra dos Montes Altos funciona como zona de amortecimento do Parque, ampliando a área de proteção e ajudando a manter o equilíbrio dos ecossistemas. O conjunto das duas unidades é considerado essencial para a conservação dos recursos hídricos e da fauna regional, além de contribuir para pesquisas científicas e atividades de turismo sustentável.
Celebração e reconhecimento
O evento comemorativo marcará não apenas o aniversário das Unidades de Conservação, mas também o reconhecimento do esforço coletivo entre poder público, cientistas e comunidades locais que ajudaram a transformar a Serra dos Montes Altos em um símbolo da preservação ambiental no semiárido baiano.
