Foto: Reprodução | Fernando Barbosa- Ascom da Ipac
Festa do Rosário dos Pretos celebra um ano como Patrimônio Cultural da Bahia

Festa do Rosário dos Pretos celebra um ano como Patrimônio Cultural da Bahia

Uma das mais antigas e simbólicas manifestações religiosas e culturais de Salvador, a Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos celebra, nesta semana, um ano do reconhecimento oficial como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia.

A comemoração ganhou destaque neste domingo, 26 de outubro, com missa festiva às 10h, seguida de procissão pelo Centro Histórico, reunindo fé, tradição e ancestralidade no coração do Pelourinho.

O título de Patrimônio Cultural Imaterial foi concedido após um criterioso processo técnico conduzido pela Gerência de Patrimônio Imaterial (GEIMA) do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), vinculado à Secretaria de Cultura do Estado (Secult-BA).

O dossiê de registro, elaborado ao longo de cinco anos, reuniu pesquisas históricas, análises socioantropológicas, registros fotográficos e depoimentos dos próprios integrantes da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, entidade responsável pela realização da festa desde o período colonial.

O processo foi iniciado em 2018, a partir de solicitação da Irmandade, e concluído em 2023, com aprovação unânime do Conselho Estadual de Cultura, formalizada em 20 de outubro de 2024.

O registro no Livro Especial dos Eventos e Celebrações reafirma o compromisso do Estado com a proteção, valorização e transmissão das tradições afro-baianas. A patrimonialização fortalece as ações de salvaguarda, garantindo que a memória coletiva e as práticas culturais da Festa do Rosário dos Pretos sejam preservadas e vivenciadas pelas novas gerações.

Além de promover reconhecimento e apoio institucional, o título reforça o papel histórico das irmandades negras como pilares da cultura e da resistência na Bahia. A Irmandade do Rosário dos Homens Pretos, em especial, nasceu da união de pessoas negras livres, libertas e escravizadas, que construíram seu próprio espaço de fé e devoção, símbolo de autonomia, solidariedade e resistência.

“Registrar a Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos é mais do que reconhecer uma tradição: é fortalecer a memória e a identidade de um povo que construiu sua cultura com coragem, fé e resistência. A patrimonialização garante que essas histórias e práticas continuem vivas, valorizando as irmandades negras como protagonistas de um legado que é de toda a Bahia”, destaca Marcelo Lemos, diretor-geral do IPAC.

Com cerca de 340 anos de história, a Festa do Rosário dos Pretos é um dos mais potentes símbolos da resistência negra e da fusão entre a fé católica e as tradições africanas. Realizada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, construída no início do século XVIII pelo esforço de homens e mulheres negras, a celebração é uma manifestação de fé que transformou dor em devoção e resistência em cultura.

Durante os festejos, o Pelourinho se transforma em um grande palco de espiritualidade e celebração: missas, cortejos, cânticos e tambores ecoam pelas ruas do Centro Histórico, reunindo fiéis, moradores e turistas em um espetáculo de fé e identidade.

O reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia consolida a Festa como uma das expressões mais autênticas da cultura afro-baiana, garantindo que essa herança simbólica continue inspirando gerações e fortalecendo o sentimento de pertencimento do povo baiano.

Com o tema “Com o Rosário na mão e os pés no chão da vida: 340 anos de fé, justiça e compromisso com o Reino de Deus”, a programação deste ano teve início em 7 de outubro, com novenas diárias às 18h, e segue até segunda-feira (27).

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