O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), órgão vinculado ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), divulgou nesta segunda-feira, 11 de novembro, seu Boletim Agroclimatológico Mensal com o prognóstico para o trimestre novembro-dezembro-janeiro.
A publicação contém a análise histórica das condições climáticas, um panorama dos fenômenos de grande escala que influenciam o clima nacional, e informações climáticas prognósticas, visando auxiliar o planejamento do setor agrícola.
A edição apresenta o prognóstico agroclimático para o trimestre de Novembro, Dezembro de 2025 e Janeiro de 2026 (NDJ), alertando para a persistência de temperaturas elevadas na maior parte do País e indicando a intensificação da condição inicial para o fenômeno La Niña.
Condições Oceânicas e Tendências
A interação entre a superfície dos oceanos e a atmosfera exerce um impacto significativo nas condições climáticas do Brasil. O prognóstico do Inmet revela que o Oceano Pacífico Equatorial está em um comportamento de resfriamento, configurando uma condição inicial para a formação do fenômeno La Niña.
Em outubro de 2025, a anomalia média mensal da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) na região Niño 3.4 foi de -0,5 °C, reforçando esse resfriamento. O modelo de previsão do Instituto Internacional de Pesquisa em Clima (IRI) aponta uma probabilidade de 62% para a ocorrência de La Niña durante o trimestre NDJ 2025/2026.
Em relação ao Atlântico Tropical, em outubro de 2025, houve uma condição de neutralidade do Dipolo do Atlântico. Contudo, as anomalias positivas de TSM no Atlântico Norte (0,38 °C) contribuem para o deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mais ao norte de sua posição climatológica, o que desfavorece a formação de chuvas ao longo da costa norte da Região Nordeste.
Previsão Detalhada e Impactos na Agricultura (NDJ 2025/2026)
O trimestre NDJ 2025/2026 será marcado por anomalias de temperatura que se manterão acima da média histórica em praticamente todas as regiões do País.
Região Norte
O modelo de previsão indica volumes de chuva próximos e abaixo da média histórica em todo o Acre, Rondônia, setores oeste, sudoeste e norte do Amazonas, além do Amapá e sul do Pará. Por outro lado, são previstos volumes acima da média em grande parte do Pará, centro-sul do Tocantins e porções sudeste e leste do Amazonas. As temperaturas devem prevalecer acima da média histórica em toda a região, com aumento médio de até 1,0 °C.
Impacto Agrícola: A previsão aponta para a intensificação das condições de seca no centro-norte do Pará, Amapá e Roraima, com déficits que podem superar 60 mm, principalmente em dezembro. Esse cenário pode impactar as atividades agrícolas e a formação de pastagens. No entanto, a partir de dezembro, prevê-se excesso de disponibilidade hídrica em quase toda a região (exceto Roraima e Amapá), o que é favorável à manutenção de culturas perenes tropicais e à agricultura familiar.
Região Nordeste
Prevê-se volumes de chuva próximos e acima da média no centro-norte da região (Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, partes de Alagoas/Sergipe, e costa litorânea da Bahia). Para as porções central e sul da Bahia, a previsão é de chuvas próximas e abaixo da média histórica. As temperaturas do ar permanecerão elevadas, entre 0,5 °C e 2,0 °C acima da média, com os maiores aumentos concentrados no sudeste do Piauí.
Impacto Agrícola: A previsão de armazenamento hídrico no solo indica estoques abaixo de 40% em grande parte da região, intensificando o déficit hídrico (superior a 150 mm). Essas condições podem limitar o desenvolvimento de culturas de sequeiro, tornando crucial a adoção de estratégias de manejo hídrico adequado.
Região Centro-Oeste
O prognóstico indica volumes de chuva próximos e acima da média em todo o estado de Goiás e na maior parte de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As temperaturas tendem a ficar até 1,0 °C acima da média em toda a região.
Impacto Agrícola: A regularização das chuvas irá garantir umidade adequada no solo na maior parte dos estados, com níveis de armazenamento hídrico previstos para ultrapassar 80% em janeiro de 2026. Este cenário é favorável ao plantio e estabelecimento das lavouras de soja e milho primeira safra, bem como à recuperação de pastagens. No entanto, a elevação dos níveis de umidade pode acarretar em excesso hídrico, especialmente em Mato Grosso e Goiás, nos meses de dezembro/2025 e janeiro/2026.
Região Sudeste
São previstos volumes de chuva acima da média histórica em todo o estado de São Paulo, centro-sul de Minas Gerais, centro-norte do Rio de Janeiro e maior parte do Espírito Santo. Chuva próxima e abaixo da média é esperada no centro-norte de Minas Gerais. As temperaturas devem ficar até 1,0 °C acima da média em São Paulo e Minas Gerais.
Impacto Agrícola: Setores como o centro-norte de Minas Gerais podem apresentar baixa disponibilidade hídrica em novembro, mas a recuperação da umidade do solo é esperada a partir de dezembro. Em janeiro de 2026, a maioria da região deve ter valores satisfatórios de armazenamento hídrico, alcançando valores próximos à capacidade de campo, uma condição favorável ao desenvolvimento das lavouras. Prevê-se excedentes hídricos acima de 60 mm em grande parte da região em janeiro, beneficiando o avanço do plantio e o desenvolvimento inicial das lavouras de verão.
Região Sul
A previsão climática indica volumes de chuva próximos e abaixo da média em todo o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e centro-oeste do Paraná. Chuva acima da média é esperada apenas no centro-leste do Paraná. As temperaturas do ar devem ficar até 1 °C acima da média climatológica em toda a região.
Impacto Agrícola: A manutenção de níveis elevados de umidade no solo é esperada, com armazenamento hídrico acima de 70%. Os excedentes hídricos (acima de 30 mm) deverão predominar em Paraná e Santa Catarina, o que pode interferir nas operações de colheita do trigo e atrasar o início da semeadura das culturas de primeira safra. O Rio Grande do Sul deve ter disponibilidade hídrica próxima à climatologia, com exceção de um déficit previsto no extremo sul.
Resumo das Condições Observadas em Outubro de 2025
A análise das condições climáticas em outubro de 2025 mostrou uma grande disparidade na distribuição de chuvas:
Precipitação: Os maiores acumulados (superiores a 150 mm) foram registrados no oeste da Região Norte e em grande parte da Região Sul.
- No Sul, as chuvas garantiram níveis satisfatórios de armazenamento de água no solo, favorecendo o desenvolvimento das lavouras.
- No Centro-Oeste (partes de MT e MS), as chuvas contribuíram para a recuperação da umidade do solo, favorecendo o início da semeadura da soja.
Seca e Deficiência Hídrica: A maior parte da Região Nordeste, especialmente o interior, apresentou volumes inferiores a 40 mm. O cenário foi crítico no Piauí, oeste da Bahia, centro-sul do Ceará e oeste do Rio Grande do Norte e Paraíba, onde o volume de água no solo ficou abaixo de 5%, inviabilizando o avanço da semeadura de cultivos de primeira safra sem irrigação.
Temperaturas: O mês foi caracterizado por temperaturas máximas médias elevadas, superiores a 30 °C na maior parte do País, ultrapassando 36 °C em áreas do Piauí, Maranhão, Bahia, Ceará, Tocantins, Pará e Mato Grosso. Localidades como Picos (PI), com 37,9 °C, e Araguaçu (TO), com 37,5 °C, registraram os maiores valores médios de máximas.
Confira o Boletim Agroclimatológico completo no portal do Inmet
