Mesmo diante do aumento de casos nas Américas, o Brasil continua livre da circulação endêmica do vírus do sarampo. A informação foi confirmada pela Comissão Regional de Monitoramento da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), que reconheceu as ações do Ministério da Saúde voltadas à manutenção do certificado de eliminação da doença. O resultado é fruto do avanço da vacinação e da resposta rápida aos casos importados.
O reconhecimento ocorre em um momento de alerta: as Américas perderam o status de região livre do sarampo, conforme decisão anunciada nesta segunda-feira, 10 de novembro. Atualmente, cerca de 95% dos casos registrados no continente estão concentrados em Canadá, México e Estados Unidos.
“A vacinação é a principal forma de prevenção contra o sarampo. No Brasil, acreditamos na ciência e, por isso, a vacina está disponível gratuitamente para toda a população de 12 meses a 59 anos. Estamos empenhados em evitar a reintrodução do vírus no país”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Crescimento da cobertura vacinal
De acordo com a Comissão Regional de Monitoramento, o Brasil se destaca pela intensificação da vigilância epidemiológica e pelo aumento das coberturas vacinais.
Em 2024, o país alcançou 95,8% de cobertura para a primeira dose da vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) e 80,43% para a segunda dose. Os dados preliminares de 2025 apontam crescimento: 91,51% (1ª dose) e 75,53% (2ª dose).
A recomendação da OPAS/OMS é que os países mantenham a vigilância ativa e estratégias de resposta rápida para casos suspeitos, incluindo vacinação em regiões de fronteira e busca ativa de possíveis infecções.
Casos importados e ações de controle
O Ministério da Saúde conseguiu interromper surtos pontuais de sarampo no país. Em março, por exemplo, dois casos registrados em São João de Meriti (RJ) foram rapidamente contidos com rastreamento de contatos e reforço vacinal. Situações semelhantes ocorreram em São Paulo, Rio Grande do Sul e Distrito Federal.
Em julho, quatro brasileiros retornaram da Bolívia infectados, provocando 25 novos casos em Campos Lindos (TO) e um em Carolina (MA), todos relacionados à mesma cadeia de transmissão. Em Primavera do Leste (MT), seis casos também foram confirmados, quatro deles em pessoas que estiveram no país vizinho.
Ao todo, 37 casos foram registrados em 2025, todos importados ou relacionados à importação, distribuídos entre Tocantins (25), Mato Grosso (6), Rio de Janeiro (2), Distrito Federal (1), São Paulo (1), Rio Grande do Sul (1) e Maranhão (1). Nenhum deles compromete a certificação internacional do Brasil.
Ações reforçadas nas fronteiras
Para evitar a reintrodução do vírus, o Brasil intensificou a vacinação em estados fronteiriços com a Bolívia, além de doar mais de 640 mil doses ao país vizinho.
Entre julho e outubro, foram aplicadas mais de 47,8 mil doses no Acre, 32,7 mil no Mato Grosso do Sul, 27,4 mil em Rondônia e 18 mil no Mato Grosso.
Nos estados do Sul, as ações também foram reforçadas: o Paraná aplicou 171 mil doses, Santa Catarina 152,5 mil e São Paulo 572,7 mil. No Rio Grande do Sul, foram 39,9 mil doses, com foco em cidades de fronteira e alto fluxo populacional.
