FOTO: REPRODUÇÃO | ILUSTRATIVA
Projeto de Nova Hidrovia do São Francisco será apresentado nesta sexta-feira

Hidrovia do São Francisco será leiloada em 2026 pelo governo

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O Rio São Francisco poderá ganhar um novo papel estratégico na logística nacional. O governo federal, por meio do Ministério de Portos e Aeroportos (Mpor), planeja leiloar a Hidrovia do Rio São Francisco no final de 2026, com o objetivo de transformar o “Velho Chico” em uma alternativa de transporte de cargas entre Pirapora (MG) e as cidades de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

Com 1.371 quilômetros de extensão navegável, o projeto prevê o transporte de até 5 milhões de toneladas de cargas já no primeiro ano de operação, segundo estimativas do ministério.

A Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba) é a responsável pela gestão do projeto e contratou a Infra S.A. para elaborar os estudos técnicos e econômicos que definirão o modelo de concessão. Somente após a conclusão dos levantamentos será possível determinar o valor total de investimento e o potencial econômico da hidrovia.

Principais cargas e estrutura

Entre os produtos que devem se beneficiar com a nova rota estão soja e milho produzidos no oeste baiano, especialmente nas regiões de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, que seriam transportados por rodovia até Ibotirama (BA), ponto de conexão com a hidrovia. Também devem ser transportados café mineiro, sal, minérios como ferro, gesso, gipsita e calcário, além de insumos agrícolas.

O projeto prevê ainda a construção de 17 portos de pequeno porte ao longo do rio para facilitar o escoamento das mercadorias e impulsionar o desenvolvimento regional.

Duas fases de implementação

A implantação da hidrovia será dividida em duas fases. A primeira etapa, com 527 km de extensão, ligará Juazeiro/Petrolina a Ibotirama, incluindo o lago da barragem de Sobradinho, cuja eclusa permite a navegação.

Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Dino Antunes Batista, esse trecho já possui condições naturais de navegação e poderá entrar em operação antes mesmo da licitação, em 2026. “Esse primeiro trecho já é navegável. Para o início das atividades, é necessário apenas realizar a batimetria e instalar instrumentos de sinalização”, afirmou.

A segunda fase será dividida em dois segmentos: o primeiro entre Ibotirama e Bom Jesus da Lapa/Cariacá (172 km) e o segundo de Cariacá a Pirapora (672 km). Nessas áreas, o rio passará por obras de dragagem e revitalização da calha, já que o São Francisco enfrenta problemas de assoreamento.

O trecho entre Juazeiro/Petrolina e a foz do rio, porém, não é navegável, devido à ausência de eclusas que permitam a transposição das barragens das hidrelétricas existentes.

Desafios logísticos e conexões intermodais

Especialistas apontam que a viabilidade econômica da hidrovia depende de uma integração eficiente com outras modalidades de transporte. O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Carlos Henrique Passos, destacou a necessidade de requalificação da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) para criar um corredor logístico competitivo.

“Juazeiro está mais de 500 km distante de Salvador e do Porto de Aratu. Precisamos da requalificação da FCA para formar um corredor logístico viável”, afirmou Passos.

A FCA, operada pela VLI Multimodal, tem velocidade média de apenas 11 km/h, e o trecho entre Juazeiro e Senhor do Bonfim está desativado. Recentemente, a concessionária assinou um acordo de prorrogação da concessão até 2056, comprometendo-se a investir R$ 30 bilhões na modernização da ferrovia, com a definição dos trechos beneficiados ainda em discussão com a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Outro ponto estratégico é Cariacá, onde a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) cruza o São Francisco por uma ponte ferroviária. O governo também estuda a construção de um novo trecho ferroviário entre Jequié e o Porto de Aratu, ampliando as opções de escoamento.

Potencial para o Nordeste

No lado pernambucano, as cargas descarregadas em Petrolina poderão seguir pela BR-407 até Salgueiro (PE), conectando-se à Transnordestina, com destino ao Porto do Pecém (CE).

Para Maurício Laranjeira, gerente de políticas industriais da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), a hidrovia poderá impulsionar o desenvolvimento agroindustrial do estado.

“A hidrovia pode melhorar o abastecimento de grãos e incentivar a indústria de esmagamento de soja, a avicultura e a suinocultura em Pernambuco. Tudo vai depender do corredor logístico apresentar um custo competitivo”, afirmou.

Com o projeto, o governo federal busca revitalizar a navegação no São Francisco, reduzindo custos logísticos, integrando modais de transporte e fortalecendo o desenvolvimento econômico do interior nordestino.

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