Foto: Divulgação | IF Baiano
Desertificação Rio Salitre

Pesquisas mostram avanço da desertificação em afluente do Rio São Francisco e testam caminhos para recuperação ambiental

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A sub-bacia do rio Salitre, afluente do São Francisco na região de Campo Formoso, no Norte da Bahia, é hoje um dos exemplos mais preocupantes de desertificação no Semiárido baiano.

A intensa degradação do solo às margens do rio, resultado da combinação entre ações humanas e variações climáticas, vem sendo monitorada há mais de uma década por pesquisadores do Instituto Federal Baiano (IF Baiano) e de instituições parceiras.

Os estudos são desenvolvidos principalmente no âmbito do Mestrado em Ciências Ambientais do IF Baiano – Campus Serrinha, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB).

Os projetos recebem apoio financeiro do próprio IF Baiano, da Fapesb e do CNPq e envolvem estudantes do ensino médio ao doutorado, que participam de experimentos de campo e análises em laboratório. Os resultados já geraram artigos em revistas científicas nacionais e internacionais.

As pesquisas indicam que a desertificação na região está diretamente ligada ao uso do solo. Entre os fatores identificados estão a abertura de estradas não pavimentadas e o cultivo intensivo de sisal em encostas íngremes.

Um dos estudos aponta que processos de erosão linear, com formação de ravinas e voçorocas, já provocaram a perda de cerca de 450 mil metros cúbicos de solo em uma área de 2 mil hectares. Outro trabalho, publicado em 2022, mostra que a erosão em alguns trechos ocorre até 20 vezes mais rápido que a formação natural do solo.

As mudanças no regime de chuvas também contribuem para o quadro. Análises publicadas na Revista Brasileira de Climatologia mostram que precipitações intensas em curtos períodos aumentam a erosividade da chuva e aceleram a degradação no médio curso do rio Salitre. O resultado é o assoreamento do leito e a interrupção do fluxo hídrico em vários pontos.

Além dos impactos ambientais, como a perda de habitat para espécies aquáticas, a situação afeta diretamente a população local. Sem água corrente, comunidades ribeirinhas perderam uma fonte importante para consumo doméstico, pesca, irrigação e navegação. As plantações passaram a depender exclusivamente das chuvas e muitos moradores, especialmente jovens, têm deixado a região em busca de trabalho em outras áreas.

Diante desse cenário, o grupo de pesquisa também vem testando soluções de recuperação ambiental. Em experimentos conduzidos desde 2020, os pesquisadores aplicaram técnicas conservacionistas do solo, com destaque para o terraceamento – estruturas em nível construídas para reduzir a velocidade da água, diminuir a erosão e aumentar a infiltração.

Após dois anos de monitoramento com sensores de umidade e análises físicas do solo, os resultados indicam melhoria na retenção de água e em propriedades do solo, apontando o terraceamento como alternativa eficaz e ambientalmente vantajosa para recuperar áreas degradadas próximas ao rio.

Com o leito do Salitre cada vez mais comprometido, as cisternas de captação de água da chuva se tornaram a principal fonte hídrica para a produção vegetal na região. A etapa atual das pesquisas, apoiada pelo programa “Ciência da Mesa”, da Fapesb, busca avaliar se o volume armazenado é suficiente e combinar o uso das cisternas com práticas de conservação do solo nas áreas de plantio, de forma a conciliar produção agrícola e recuperação ambiental às margens do afluente do São Francisco.

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