O empréstimo de R$ 20 bilhões aos Correios, coordenado por um grupo de cinco bancos, foi reprovado pelo Tesouro Nacional. A decisão ocorreu devido aos juros considerados excessivos, de 136% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), propostos pelas instituições financeiras envolvidas. O Conselho de Administração dos Correios havia aprovado a operação no último sábado (29).
De acordo com a Agência Brasil, a reprovação foi comunicada ao presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, em reunião no Ministério da Fazenda. Sem a aprovação do Tesouro, a União não poderá fornecer garantias para cobrir uma eventual inadimplência, o que praticamente eliminaria o risco para os bancos.
Com a decisão, os Correios e os bancos podem renegociar uma taxa de até 120% do CDI. Outra alternativa para a estatal é aguardar um aporte direto do Tesouro Nacional para cobrir parte do prejuízo acumulado, que atingiu R$ 6,05 bilhões de janeiro a setembro deste ano.
Negociações
Os Correios confirmaram a reprovação do empréstimo em comunicado aos funcionários, destacando que a Diretoria Executiva está trabalhando com diversos ministérios para encontrar alternativas que reforcem a liquidez imediata da empresa. A estatal busca assegurar o andamento das iniciativas necessárias para sua recuperação financeira.
Desde outubro, os Correios negociam o empréstimo de R$ 20 bilhões para reestruturar a empresa. O plano de reestruturação, apresentado em novembro, inclui um programa de demissão voluntária, o fechamento de mil agências e a venda de R$ 1,5 bilhão em imóveis. O objetivo é quitar uma dívida de R$ 1,8 bilhão, débitos com fornecedores, modernizar o serviço de encomendas e encontrar novas fontes de receitas.
