Previsão de anomalias de (a) precipitação (mm) e (b) temperatura média do ar (°C) para o trimestre janeiro, fevereiro e março/2026, elaborada conjuntamente pelo INMET, CPTEC/INPE e FUNCEME.
Previsão Verão 2025-2026

Inmet e Inpe preveem verão mais quente e com chuva irregular no Brasil

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O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), por meio do CPTEC, divulgaram uma nota técnica conjunta com o prognóstico climático para o verão 2025/2026 no Brasil.

O documento indica temperaturas acima da média em praticamente todo o país e um regime de chuvas irregular entre as regiões, com excesso em algumas áreas e déficit em outras.

O verão no Hemisfério Sul começa neste sábado, 21 de dezembro de 2025, às 12h03 (horário de Brasília), e termina em 20 de março de 2026. O período é marcado por calor, dias mais longos que as noites e mudanças rápidas nas condições de tempo, favorecendo temporais, granizo, ventos moderados a fortes e descargas elétricas.

Historicamente, os volumes de chuva ultrapassam 400 mm em grande parte do território, com exceção do extremo sul do Rio Grande do Sul, nordeste de Roraima e faixa leste do Nordeste.

Condições do Pacífico e cenário para o verão

Segundo a nota técnica, o Oceano Pacífico Equatorial vem registrando, desde agosto de 2025, anomalias negativas de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4, abaixo de -0,4 ºC, com padrão semelhante ao de episódios de La Niña.

No entanto, projeções do APEC Climate Center apontam cerca de 20% de probabilidade de permanência de condições de La Niña no trimestre janeiro–fevereiro–março (JFM) de 2026 e 74,5% de chance de retorno à neutralidade.

Com a provável neutralidade do fenômeno El Niño–Oscilação Sul (ENOS), o comportamento do clima no Brasil tende a ser mais influenciado por sistemas regionais, como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) e sistemas convectivos tropicais, o que resulta em distribuição mais heterogênea de chuva pelo país.

Chuvas e temperaturas por região

Para a Região Norte, a previsão indica chuvas acima da média climatológica em grande parte dos estados. As exceções são o sudeste do Pará e o Tocantins, onde os volumes podem ficar abaixo da média histórica. A temperatura média do ar deve ficar acima da climatologia no Amazonas, centro-sul do Pará, Acre e Rondônia, com desvios que podem chegar a 0,5 ºC ou mais, enquanto Amapá, Roraima e norte do Pará tendem a registrar valores próximos da média.

No Nordeste, o prognóstico aponta predomínio de chuva abaixo da média em praticamente toda a região, com destaque para a Bahia, centro-sul do Piauí e grande parte de Sergipe, Alagoas e Pernambuco, onde o déficit pode chegar a 100 mm no trimestre JFM. Volumes próximos ou ligeiramente acima da média são esperados apenas no centro-norte do Maranhão, norte do Piauí e noroeste do Ceará. Em toda a região, as temperaturas devem ficar acima da média, superando 1 ºC em áreas da Bahia e do sul do Maranhão e do Piauí, e até 0,5 ºC nos demais estados.

Na Região Centro-Oeste, a previsão indica chuvas acima da média no oeste do Mato Grosso e volumes próximos à climatologia no restante do estado e em Mato Grosso do Sul. Para Goiás, o cenário é de chuva abaixo da média. A temperatura média do ar tende a ficar acima da climatologia em praticamente toda a região, com desvios que podem chegar a 1 ºC na faixa central.

Na Região Sudeste, o trimestre de janeiro a março de 2026 deve ser de chuva abaixo da média, com déficit de até 100 mm em áreas de Minas Gerais, como o centro do estado, Zona da Mata, Vale do Rio Doce e Região Metropolitana de Belo Horizonte. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, também há tendência de volumes reduzidos em relação ao padrão histórico. As temperaturas devem ficar até 1 ºC acima da média em boa parte da região.

Para o Sul do país, o prognóstico aponta chuvas acima da média em todos os estados, com maiores acumulados previstos para o sudeste e sudoeste do Rio Grande do Sul, onde os volumes podem superar em até 50 mm a média histórica do trimestre. A temperatura média também deve ficar acima da climatologia, especialmente no oeste gaúcho, com desvios próximos de 1 ºC.

Efeitos previstos na safra de verão

A nota técnica dedica parte da análise aos possíveis impactos na safra 2026. Nas áreas da Região Norte com previsão de chuva acima da média, a tendência é de manutenção de elevados índices de umidade do solo, favorecendo o desenvolvimento de culturas como soja e milho em fase vegetativa e de florescimento, além de culturas perenes e pastagens.

No interior do Nordeste, especialmente no semiárido, a combinação de precipitação abaixo da média e temperaturas mais altas aumenta o risco de déficit hídrico. A irregularidade das chuvas pode limitar o avanço do plantio e comprometer culturas de sequeiro, exigindo manejo mais cuidadoso do solo e da água.

Para o Centro-Oeste, as chuvas dentro ou acima da climatologia em boa parte da região, principalmente no norte de Mato Grosso, tendem a favorecer a recomposição da umidade do solo e o desenvolvimento da soja e do milho de primeira safra. Já no Sudeste, o cenário de chuva abaixo da média e temperatura elevada pode reduzir gradualmente a disponibilidade hídrica e aumentar o risco de estresse para as lavouras de verão, sobretudo em solos com menor capacidade de retenção de água.

No Sul, a previsão de chuvas próximas ou acima da média é positiva para as culturas de verão, mas o excesso de umidade, somado às temperaturas mais altas, pode favorecer doenças fúngicas, especialmente em áreas com trigo em fase final de ciclo. A ocorrência de chuva frequente também pode atrapalhar a colheita e atrasar o plantio de parte da primeira safra.

O Inmet reforça que as previsões climáticas são atualizadas de forma periódica e que o acompanhamento das condições de tempo e clima deve ser contínuo, sobretudo nas principais regiões produtoras do país. As atualizações estão disponíveis no portal, aplicativo e redes sociais do instituto.

Veja a Nota Técnica completa

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