O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou nesta terça-feira, 30 de dezembro, a previsão climática para todo o país no mês de janeiro de 2026.
O prognóstico do órgão indica irregularidade na distribuição das chuvas sobre o território brasileiro, com volumes acima da média na Região Norte, no oeste da Região Centro-Oeste e com extensão até a Região Sul.
Em contrapartida, áreas do centro-sul da Região Nordeste — incluindo praticamente toda a Bahia —, do centro-norte da Região Sudeste e da porção leste do Centro-Oeste devem registrar chuva abaixo da média.
Pelos mapas do modelo climático do Inmet, os volumes acima da média se concentram principalmente no Norte, no oeste do Centro-Oeste e avançam em direção ao Sul, enquanto as áreas com chuva abaixo da média abrangem parte do Nordeste, Sudeste e leste do Centro-Oeste.
Previsão de chuvas
Na Região Norte, são previstos volumes de chuva de até 50 mm acima da média histórica em grande parte do Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia e em porções sul e centro-norte do Pará. Nas demais áreas, a tendência é de valores próximos ou abaixo da média, com destaque para o centro-sul do Tocantins e o sul de Roraima, onde podem ocorrer os menores volumes.
No Nordeste, o Inmet prevê chuva abaixo da média histórica de janeiro em praticamente toda a Bahia, no centro-sul do Piauí, na região central do Maranhão e no oeste de Pernambuco. Por outro lado, o modelo indica possibilidade de chuvas acima da média em áreas isoladas da Paraíba, Alagoas, Ceará, Piauí e Maranhão.
No Centro-Oeste, os acumulados devem ficar acima da média em praticamente todo o Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além de áreas do nordeste e sudoeste de Goiás. No restante da região, a previsão é de chuva próxima ou abaixo da média.
No Sudeste, a previsão indica volumes acima da média em praticamente todo o estado de São Paulo e no sul de Minas Gerais. Em sentido oposto, são previstas chuvas abaixo da média no sul do Espírito Santo, no centro-norte do Rio de Janeiro e em grande parte de Minas Gerais. Nas demais áreas, os acumulados tendem a permanecer próximos à climatologia.
Na Região Sul, são previstos acumulados de até 50 mm acima da média histórica de janeiro em praticamente todos os estados. As exceções são o centro-oeste de Santa Catarina, onde os volumes tendem a ficar próximos da média, e o sul do Rio Grande do Sul, com previsão de chuva próxima e abaixo da média climatológica do mês, respectivamente.
Temperaturas
Além da chuva, a previsão também aponta temperaturas acima da média em quase todo o país. Na Região Norte, as temperaturas médias podem ficar até 0,6 °C acima da média na maior parte do Amazonas, Pará, Amapá e Roraima, com médias entre 26 °C e 28 °C em janeiro. Para o Tocantins, o aquecimento previsto é mais intenso, com até 1 °C acima da média climatológica de janeiro.
No Nordeste, a previsão é de temperaturas acima da média em todos os estados, principalmente na Bahia, Piauí e no sul do Maranhão. O sul do Piauí aparece como área de maior destaque, com aumento médio acima de 1 °C. Nas demais áreas, o Inmet indica temperaturas dentro da média.
No Centro-Oeste, devem prevalecer temperaturas médias acima da climatologia do mês, com maior aquecimento no centro-leste de Goiás, Distrito Federal, centro-oeste do Mato Grosso do Sul e noroeste do Mato Grosso, onde as médias podem ficar até 1 °C acima da média de janeiro.
No Sudeste, o modelo prevê aumento da temperatura média na maior parte de Minas Gerais (com maior aquecimento no noroeste do estado) e nas porções oeste e nordeste de São Paulo. Nas demais áreas, a temperatura média tende a ficar próxima da climatologia.
No Sul, podem ocorrer temperaturas próximas à média na maior parte de Santa Catarina e no sul do Rio Grande do Sul. Por outro lado, é previsto aumento médio de até 0,6 °C em grande parte do Rio Grande do Sul, no norte de Santa Catarina e no centro-leste do Paraná.
Possíveis impactos nas culturas agrícolas
Na Região Norte, a previsão de chuvas acima da média em grande parte do Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia e em áreas do Pará tende a favorecer a reposição da umidade do solo, a semeadura e o desenvolvimento vegetativo dos cultivos de primeira safra, além da recuperação das pastagens.
No entanto, o aumento das temperaturas, especialmente no Tocantins, pode intensificar a evapotranspiração e elevar o risco de estresse térmico, exigindo atenção ao manejo hídrico, sobretudo em áreas com previsão de chuva abaixo da média, como o centro-sul do Tocantins e o sul de Roraima.
No Nordeste, a irregularidade das chuvas deve impor desafios à agricultura. Nas áreas com previsão de chuva abaixo da média — como Bahia, centro-sul do Piauí, centro do Maranhão e oeste de Pernambuco —, o déficit hídrico associado a temperaturas acima da média pode comprometer a semeadura e o desenvolvimento das lavouras de sequeiro, como milho e feijão, principalmente nas fases reprodutivas.
Já nas áreas com chuva acima da média, especialmente na faixa litorânea e em estados como Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, as condições tendem a ser mais favoráveis ao desenvolvimento das culturas e à fruticultura irrigada.
No Centro-Oeste, os volumes de chuva acima da média previstos para Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, combinados com temperaturas elevadas, devem favorecer cultivos de primeira safra em desenvolvimento vegetativo, floração e enchimento de grãos.
Em Goiás, onde a previsão indica chuva abaixo da média, podem ocorrer períodos de restrição hídrica, aumentando o risco de estresse hídrico em fases sensíveis do ciclo.
No Sudeste, a previsão de chuva acima da média em São Paulo tende a contribuir para a reposição da umidade do solo, beneficiando lavouras de grãos, cana-de-açúcar e café. Em contrapartida, a previsão de chuva abaixo da média em Minas Gerais,
Espírito Santo e centro-norte do Rio de Janeiro, somada a temperaturas mais elevadas, pode limitar a disponibilidade hídrica do solo e afetar o desenvolvimento inicial das lavouras, principalmente em áreas mais dependentes da chuva.
Na Região Sul, os acumulados de chuva acima da média na maior parte da região, com temperaturas próximas ou ligeiramente acima da média, tendem a favorecer as culturas de verão em fase inicial e a recuperação das pastagens. Por outro lado, a previsão de menores volumes de chuva, associada à maior incidência de radiação solar no sul do Rio Grande do Sul, favorece a realização das operações de campo e o desenvolvimento da cultura do arroz irrigado.
