A equipe do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), ligado à Secretaria Municipal de Vitória da Conquista, resgatou na última semana um exemplar de lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) em uma propriedade no loteamento Vila Elisa. A presença do animal, considerada incomum na região, mobilizou técnicos e agentes após relatos de moradores de um sítio onde o lobo-guará foi avistado.
A operação começou depois de um alerta do Grupamento Ambiental (Gama) da Guarda Municipal. De acordo com o Cetas, o animal estava em uma área particular e já havia consumido aves domésticas, como pavões e patos.
Segundo o coordenador do Cetas, Aderbal Azevedo, a captura exigiu planejamento. “Levamos inicialmente uma armadilha, mas o animal conseguiu desarmá-la por ser pequena. Tivemos que buscar um equipamento maior em Itapetinga. No sábado, finalmente conseguimos resgatá-lo com segurança”, afirmou.
Identificado preliminarmente como uma fêmea, o lobo-guará apresenta características típicas da espécie, como pernas longas e pretas e pelagem avermelhada. Conforme o coordenador, ainda não foram realizados exame clínico detalhado e coleta de sangue para evitar estresse, mas o animal aparenta estar em boas condições.
“No momento do resgate, priorizamos reduzir o estresse. Ele parece saudável e bem alimentado. O que nos intriga é como ele chegou aqui. Acreditamos que ele tenha entrado na propriedade por um portão deixado aberto momentaneamente e acabou ficando retido na área vegetada do sítio”, relatou Aderbal.
O Cetas informou que iniciou tratativas para a soltura do animal em seu habitat de origem. A equipe está em contato com órgãos ambientais para viabilizar o transporte para uma área de Cerrado preservada.
A presença do lobo-guará em Vitória da Conquista foi apontada como atípica e pode estar associada a mudanças ambientais, como desmatamento e queimadas, que podem levar a espécie a buscar novos territórios.
Sobre o lobo-guará
O lobo-guará é um animal símbolo do Cerrado e tem importância ecológica por atuar como dispersor de sementes. A espécie é considerada “vulnerável” na maior parte do Brasil e “criticamente ameaçada” em biomas do Extremo Sul do país. A estimativa citada no material é de cerca de 25 mil indivíduos na natureza.
O animal também foi homenageado na cédula de R$ 200, lançada pelo Banco Central em 2020. Já o termo “guará” tem origem no tupi e significa vermelho, em referência à coloração da pelagem.
