O nível do Rio São Francisco voltou a subir ao longo da semana, após as chuvas associadas à segunda Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) de 2026. O pico da cheia atravessa a região Central de Minas Gerais e segue em direção ao Norte do estado.
Em Pirapora, o volume de água no Velho Chico voltou a cair nesta sexta-feira, 23 de janeiro, após uma cheia vinda do Rio Abaeté elevar o nível em cerca de 1,5 metro (m) ao longo do dia anterior. O rio alcançou pico de 3,46 m, e a vazão saltou de 415 para 2,2 mil m³/s. À noite, o nível estava em 2,8 m, com vazão de 1,55 mil m³/s, abaixo da cota de inundação, que é de 3,20 m.
A elevação repentina gerou imagens que repercutiram em todo o país. Dois cavalos ficaram ilhados após o proprietário deixá-los pastando em uma área atingida pela enchente. Os animais foram resgatados por pescadores e populares que se sensibilizaram com a situação e passam bem.
A enchente não tem relação com a operçaão Usina Hidrelétrica de Três Marias, que segue em regime de espera, com defluência baixa, de pouco menos de 160 m³/s. De acordo com dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA), o volume útil do reservatório saltou de 56,9% para 61,3%. A afluência, no início da semana, era de 267,1 m³/s e chegou a 4.472 m³/s nesta quinta-feira.
Rio abaixo, o nível segue subindo com a chegada de água e incremento dos afluentes. Em Cachoeira da Manteiga, distrito de Buritizeiro, o nível continua em elevação e atingiu o maior pico desde o início da estação chuvosa.
A cota na noite desta sexta-feira é de 7 m, quase 2 m acima do pico registrado nas chuvas das primeiras semanas do ano. A tendência é de continuidade da elevação nas próximas horas, com a chegada da cheia do Abaeté e o aumento do volume no Rio das Velhas, afluente que segue em elevação em Várzea da Palma.
A vazão atual é de 3,1 mil m³/s, superando a marca de 1,8 mil m³/s registrada no pico do início do ano, no dia 7. Em São Romão e São Francisco, o nível também subiu e deve continuar em elevação nos próximos dias, com a chegada de água e o incremento dos rios Paracatu e Urucuia.
Já na Bahia, o cenário é de estabilidade, já que os afluentes do estado não receberam volumes tão significativos. Mesmo assim, as chuvas em Minas Gerais devem elevar o nível a patamares maiores do que os observados nas chuvas de dezembro e no início de janeiro.
O reservatório da Hidrelétrica de Sobradinho está com 44% do volume útil, e a cheia deve demorar cerca de 15 a 20 dias para melhorar um pouco o armazenamento.
Os dados de monitoramento são do Serviço Geológico do Brasil (SGB) e podem ser acompanhados no painel disponibilizado pelo órgão.
Volume de chuvas
De acordo com dados da rede de pluviômetros do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), os acumulados de chuva nas últimas 96 horas variaram entre 120 e 180 mm em Belo Horizonte e na Região Metropolitana, aumentando consideravelmente o volume do Rio das Velhas. No Centro-Oeste do estado, há registros de até 250 mm em Presidente Olegário e de 242 mm em Três Marias.
No Norte de Minas, há registros de até 88 mm em Montes Claros, e no Noroeste, de até 170 mm em Unaí. Na Bahia, os volumes ficaram abaixo de 60 mm na maior parte da bacia.
Previsão do tempo para a bacia do Rio São Francisco
A última semana de janeiro deve manter a ocorrência de chuvas no Alto São Francisco, na Região Central e no Noroeste de Minas Gerais, com acumulados de até 100 mm em algumas áreas. Por outro lado, os volumes devem ficar abaixo de 50 mm no Norte do estado e abaixo de 30 mm na maior parte do território baiano da bacia.
Também há previsão de chuvas significativas na primeira semana de fevereiro em boa parte da bacia, porém em volumes menores e mais espaçadas do que as registradas nos últimos dias.
