A Prefeitura de Salvador implantou, nesta terça-feira, 27 de janeiro, três passagens de fauna na Avenida Pinto de Aguiar, no trecho entre o Parque de Pituaçu e o Vale Encantado. A ação foi realizada por meio da Secretaria Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis) e tem como objetivo reconectar as manchas de vegetação existentes nas duas áreas.
As estruturas suspensas foram instaladas para permitir a travessia de animais silvestres, especialmente mamíferos, de um lado para o outro da via, reduzindo o risco de atropelamento no asfalto. Segundo a prefeitura, a intervenção busca contribuir para a preservação da fauna e para um equilíbrio maior entre urbanização e meio ambiente.
O titular da Secis, Ivan Euler, afirmou que a medida é a primeira iniciativa do tipo em Salvador e que a gestão estuda ampliar a implantação para outros locais. Entre as áreas avaliadas, ele citou o Parque da Cidade e o Alto do Itaigara.
Moradora do Vale Encantado, a veterinária e bióloga Daniela Falcão, de 55 anos, disse que a implantação das passagens era uma demanda antiga da comunidade. Ela afirmou que, com a abertura da Avenida Pinto de Aguiar, a ligação entre os dois parques foi suprimida, o que comprometeu a circulação de animais, principalmente mamíferos e répteis. Daniela também destacou que os equipamentos restabelecem a movimentação das espécies, favorecem a troca gênica e podem diminuir a consanguinidade, além de reduzir acidentes na rede elétrica e atropelamentos.
O diretor do Sistema de Áreas de Valor Ambiental e Cultural (Savam), João Resch, reforçou que estas são as três primeiras passagens de fauna implantadas na cidade. Segundo ele, a proposta é reconectar trechos de áreas verdes que foram interrompidos.
De acordo com Resch, cada trecho das passarelas tem aproximadamente 50 metros e foi confeccionado com materiais sustentáveis, como cordas, madeiras e outros produtos. Ele acrescentou que a prefeitura avalia instalar câmeras no futuro para monitorar o fluxo diurno e noturno, identificar a frequência e as espécies que utilizam as estruturas e formar um banco de dados para orientar a expansão da iniciativa para outras áreas de Salvador.
