O primeiro ano de regulamentação do mercado de apostas no Brasil consolidou o setor como uma nova frente de arrecadação e fiscalização federal. Segundo o balanço divulgado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, 2025 foi marcado pela formalização de empresas, crescimento do segmento de jogos de cassino e intensificação das ações de combate às plataformas ilegais.
De acordo com o relatório, o mercado de apostas e jogos de cassino totalizou R$ 37 bilhões em receita bruta, valor que representa o faturamento total descontados os prêmios pagos. A arrecadação federal ultrapassou R$ 9,9 bilhões, considerando tributos como IRPJ, CSLL e contribuições sociais, além de R$ 2,5 bilhões em outorgas e R$ 95 milhões em taxas de fiscalização.
O secretário de Prêmios e Apostas, Regis Dudena, destacou que o Estado passou a ter “presença plena no mercado”, com instrumentos de monitoramento que permitem identificar movimentações financeiras e assegurar a aplicação da legislação.
Jogos de cassino mais populares
Os slots dominaram a preferência dos apostadores brasileiros no último levantamento da KTO. Dados referentes a dezembro de 2025 indicam que a categoria representou 93,5% das rodadas realizadas nos jogos de cassino da plataforma de bet, seguidos pelos crash games (3,68%) e pela roleta (0,59%).
Entre os títulos mais jogados, destacam-se Touro Sortudo (41,1% de popularidade), Fortune Tiger (35,4%) e Fortune Rabbit (30,7%). No segmento de cassino ao vivo, a Roleta KTO ao Vivo foi o jogo mais acessado, com 3% de participação, à frente de Bac Bo Ao Vivo e Roleta Relâmpago Brasileira.
Os dados reforçam o protagonismo crescente dos jogos de cassino no ambiente regulado, que vem atraindo tanto jogadores ocasionais quanto usuários frequentes das plataformas licenciadas.
Mercado regulado
A regulamentação das apostas online teve início em janeiro de 2025, quando o Ministério da Fazenda autorizou 66 empresas a explorar o mercado nacional de apostas eletrônicas. Cada operadora pagou R$ 30 milhões de outorga, totalizando mais de R$ 2 bilhões em recursos destinados à União.
Essas empresas receberam autorização para operar até três marcas cada, com exigência de domínio “.bet.br” e cumprimento de normas de integridade, prevenção à lavagem de dinheiro e promoção de jogo responsável.
Ao longo do ano, o número de empresas subiu para 79, com novas portarias de liberação publicadas após a apresentação de documentação complementar. A SPA também registrou 25 mil sites ilegais bloqueados, em cooperação com a Anatel, e encerramento de 550 contas bancárias ligadas a operadores sem licença.
Mercado ilegal
O relatório oficial do Ministério da Fazenda reforça que empresas sem autorização estão proibidas de realizar transações financeiras e sujeitas a bloqueios de acesso na internet. Segundo a SPA, instituições de pagamento não podem intermediar recursos para operadores não licenciados, e a oferta de bônus de entrada ou crédito a usuários está vetada.
Ainda assim, o mercado ilegal continua expressivo. Estudo da consultoria H2 Gambling Capital, apresentado na Casa Brasil durante a ICE Barcelona, estima que cerca de 30% das apostas no país ocorrem em sites não regulamentados, o equivalente a R$ 15 bilhões por ano em receitas brutas.
Essas plataformas irregulares atraem parte dos usuários por meio de ofertas promocionais e ausência de verificação de identidade, o que representa risco financeiro e jurídico. Em contrapartida, o governo intensificou o monitoramento de transações via PIX e ampliou parcerias com instituições financeiras para rastrear operações suspeitas.
