Volumes elevados de chuva registrados entre o fim de fevereiro e o início de março passaram a afetar o ritmo da colheita da soja na região do Matopiba, segundo análise divulgada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) nesta quarta-feira, 4 de março.
Embora o novo padrão de precipitação tenha favorecido a recuperação da umidade do solo e beneficiado áreas em fase de enchimento de grãos, o excesso de água também tem imposto restrições operacionais em lavouras prontas para colheita.
De acordo com o Inmet, a semeadura da soja na safra 2025/26 ocorreu, de forma geral, com leve atraso em relação ao padrão de anos anteriores. O instituto aponta que a irregularidade e a má distribuição das chuvas no início da estação chuvosa comprometeram o calendário agrícola, além de terem provocado períodos de deficiência hídrica, principalmente na fase vegetativa e no início do período reprodutivo.
Esse cenário começou a mudar entre a última semana de fevereiro e os primeiros dias de março, com a ocorrência de pancadas de chuva de volumes expressivos em áreas do Matopiba — região que abrange partes de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Segundo o Inmet, as precipitações promoveram significativa recuperação da umidade no perfil do solo, o que contribuiu para restabelecer condições favoráveis ao desenvolvimento das lavouras que ainda estão em fase de enchimento de grãos.
Ao mesmo tempo, o órgão alerta que a continuidade das chuvas no curto prazo cria novos riscos para áreas em maturação fisiológica, já aptas à colheita. Nessas localidades, o excesso de umidade no solo tem dificultado a entrada de máquinas nas lavouras, reduzido a trafegabilidade em estradas vicinais e aumentado o risco de perdas qualitativas dos grãos. O impacto também se estende à logística de escoamento da produção.
O Inmet também chama atenção para áreas com semeadura mais tardia. Nesses casos, o ambiente com elevada umidade relativa do ar, solos saturados e menor disponibilidade de radiação solar pode favorecer o avanço de doenças fúngicas e ampliar a pressão de pragas, fatores que podem limitar o potencial produtivo da safra.
Na avaliação do instituto, as chuvas recentes foram fundamentais para mitigar os efeitos do déficit hídrico observado em fases anteriores do ciclo da soja. No entanto, o excesso de precipitação neste momento do calendário agrícola passa a introduzir fatores de risco fitossanitários e operacionais, com potencial de comprometer o manejo e o desempenho final das lavouras.
Para os próximos dias, a previsão meteorológica indica continuidade das chuvas pelo menos até quarta-feira (11), especialmente em áreas do sul do Maranhão, centro-norte do Tocantins e centro-norte e sul do Piauí. Os acumulados podem ultrapassar 100 milímetros, principalmente entre os dias 5 e 6, mantendo elevado o excedente hídrico no solo ao longo da semana.
O Inmet cita, como exemplo, os municípios de Rio Sono (TO) e Corrente (PI), onde o balanço hídrico aponta manutenção de excedente de água no solo até segunda-feira (9), sem indicação de déficit hídrico no curto prazo. Apesar do benefício à disponibilidade de água, o órgão reforça que esse quadro exige atenção no planejamento das atividades agrícolas, sobretudo em áreas onde a soja já se encontra em fase de maturação ou colheita.
Segundo o instituto, o excesso de umidade pode dificultar as operações de campo, aumentar o risco de deterioração dos grãos e comprometer a qualidade final do produto. A recomendação é de acompanhamento diário das atualizações meteorológicas e monitoramento da umidade do solo, principalmente em áreas com previsão de elevados volumes de chuva.
