Foto: Reprodução | TV Globo
Jornal Nacional Guanambi

Menção do Jornal Nacional a risco hidrológico na Região de Guanambi está relacionada à cheia do Rio São Francisco

Uma informação exibida na previsão do tempo do Jornal Nacional, da TV Globo, nesta sexta-feira, 6 de março, chamou a atenção ao citar “alta possibilidade de inundação” nas regiões de Guanambi, na Bahia, e de Montes Claros, em Minas Gerais.

A referência, no entanto, não está ligada a previsão de chuvas intensas sobre o sudoeste baiano, mas sim à cheia em curso no Rio São Francisco, cujo pico começa a avançar para o território baiano.

Durante o telejornal, a jornalista Eliana Marques afirmou que “o Cemaden disse que é alta a possibilidade de inundação nas regiões de Guanambi, na Bahia, e de Montes Claros, em Minas Gerais, onde há rios cheios na bacia do Rio São Francisco”.

O comentário se baseia no boletim de riscos hidrogeológicos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que utiliza a divisão territorial em regiões geográficas intermediárias e imediatas definida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na prática, a inclusão da região intermediária de Guanambi no alerta está relacionada ao comportamento do Rio São Francisco e de seus afluentes, após os acumulados de chuva registrados nas últimas semanas na bacia. De acordo com o boletim do Cemaden, considera-se alta a possibilidade de inundação gradual na Região Geográfica Intermediária de Guanambi, devido à elevação ou manutenção de níveis elevados do São Francisco, associada à saturação do solo e às chuvas registradas nos últimos dias na bacia hidrográfica.

Possibilidade de ocorrência de eventos hidrológicos em ao menos um município das mesorregiões indicadas. Este mapa é elaborado por uma equipe multidisciplinar, levando em consideração os cenários de riscos hidrológicos atuais somados à previsão de chuva – Cemaden

A análise dos dados hidrológicos mais recentes indica que a situação exige atenção principalmente nas cidades ribeirinhas ao Velho Chico, enquanto o restante da região, incluindo a área urbana de Guanambi, não apresenta neste momento cenário de agravamento hidrológico.

Níveis elevados do rio no trecho baiano

O boletim hidrológico divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) na noite desta sexta-feira mostra que o Rio São Francisco segue acima das cotas de alerta e de inundação em municípios do Vale São-franciscano Baiano.

Em Carinhanha, primeiro ponto de monitoramento do rio na Bahia, o nível registrado às 21h era de 614 centímetros, acima da cota de alerta de 440 cm e da cota de inundação de 500 cm. A previsão do órgão é de estabilização nas próximas horas, seguida de queda gradual do nível do rio.

Mais abaixo no curso do São Francisco, em Bom Jesus da Lapa, a situação é de elevação mais persistente. Às 21h desta sexta-feira, o rio estava em 732 cm, também acima da cota de inundação de 625 cm. A projeção hidrológica indica que o nível pode alcançar 745 cm no início da manhã de domingo (8), com tendência de nova elevação entre os dias 9 e 10 de março.

Esse comportamento reforça que o pico da cheia está se deslocando do Norte de Minas para o território baiano, acompanhando o curso natural do rio.

Situação já melhora em parte do Norte de Minas

Enquanto a cheia avança para a Bahia, alguns pontos do trecho mineiro já apresentam desaceleração do nível do rio.

De acordo com o SGB, em cidades como São Francisco, Januária e Manga, a tendência observada é de redução gradual do nível nas próximas horas. Em Manga, por exemplo, o São Francisco marcava 732 cm às 17h desta sexta-feira, com previsão de queda.

Esse comportamento confirma o deslocamento da onda de cheia ao longo do rio, fenômeno comum após períodos de chuvas intensas em diferentes partes da bacia.

Reservatórios seguem dentro da faixa normal de operação

Outro fator que ajuda a explicar o comportamento do São Francisco é o nível dos reservatórios do sistema hidrelétrico da bacia.

Segundo o boletim mais recente da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), divulgado em 5 de março, os principais reservatórios do rio apresentam os seguintes volumes úteis:

  • Três Marias (MG): 91,56%
  • Sobradinho (BA): 72,33%
  • Itaparica (PE/BA): 47,39%
  • Xingó (AL/SE): 76,61%

A ANA classifica a operação de Três Marias e Sobradinho dentro da faixa normal, o que contribui para o controle da vazão ao longo do curso do rio.

O boletim também aponta que as vazões naturais médias de março estão acima da média histórica de longo termo em vários pontos da bacia. Em Três Marias, por exemplo, a vazão natural média está em 1.392 m³/s, equivalente a 128% da média histórica. Em Sobradinho, a vazão média chega a 6.082 m³/s, o que representa 135% da média de longo prazo.

Região de Guanambi não tem previsão de chuvas volumosas

Apesar da menção feita no telejornal, o cenário meteorológico previsto para a Região de Guanambi é diferente daquele observado na bacia do São Francisco.

Os modelos de previsão indicam chuvas rápidas e isoladas na região de Guanambi ao longo dos próximos dias, sem expectativa de acumulados significativos no curto prazo. Projeções de precipitações mais expressivas aparecem apenas na segunda quinzena de março.

Dessa forma, a referência feita pelo Jornal Nacional deve ser interpretada dentro do contexto da divisão territorial usada pelos órgãos federais e da cheia do Rio São Francisco, e não como um alerta generalizado de inundação para todos os municípios da região intermediária de Guanambi.

No momento, os principais impactos potenciais permanecem restritos às comunidades ribeirinhas e áreas sujeitas a alagamentos nas cidades banhadas diretamente pelo Velho Chico.

Veja a previsão do tempo completa para as seguintes cidades:

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