Foto: Corpo de Bombeiros
Busca bombeiros Vitória da Conquista

Mulher levada por enxurrada em Vitória da Conquista segue desaparecida após quase 30 horas

Rosânia Silva Borges, de 44 anos, segue desaparecida após ser arrastada por uma enxurrada em Vitória da Conquista na tarde desta segunda-feira, 9 de março. Ela estava em um carro de aplicativo que caiu no canal da Avenida Caracas, no bairro Jurema, durante o temporal. O motorista conseguiu sair do veículo, mas Rosânia foi levada pela correnteza.

Após serem suspensas durante a noite, as buscas foram intensificadas nesta terça-feira (10). De acordo com o 7º Batalhão de Bombeiros Militar (7º BBM), as equipes permaneceram mobilizadas ao longo de todo o dia e devem continuar a operação durante a noite em pontos específicos. Para reforçar o trabalho, dois especialistas em resgate em águas rápidas do Grupamento de Operações Aéreas (GOA) do Corpo de Bombeiros Militar da Bahia já estão no município.

As buscas também contam com apoio da aeronave Fênix 01 e de um drone com câmera térmica, usado para ampliar o alcance das varreduras e auxiliar as guarnições em campo. Segundo os bombeiros, as ações desta terça se concentraram em diferentes trechos do percurso por onde a vítima pode ter sido arrastada pela força da água.

Foram realizadas varreduras desde o canal da Avenida Caracas até a região do parque, seguindo do parque até a Avenida Perimetral, da Perimetral até áreas abaixo da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), além de pontos próximos à Lagoa de Decantação.

O comandante do 7º BBM, tenente-coronel Paulo Henrique Araújo, informou que a corporação foi acionada ainda na tarde de segunda-feira, logo após a ocorrência. Segundo ele, o grande volume de água dificultou o início imediato das buscas no local exato onde a vítima desapareceu.

Ainda conforme o comandante, uma equipe percorreu aproximadamente um quilômetro dentro do curso d’água usando técnica de varredura. As buscas, no entanto, precisaram ser suspensas por volta das 20h de segunda-feira por causa das condições de risco para os próprios bombeiros, em razão da baixa visibilidade e da presença de pedras, vidros, madeira e outros materiais cortantes no trajeto.

Na madrugada desta terça, as equipes retomaram a operação. Ao longo do dia, cerca de 28 bombeiros foram empregados na ocorrência, com uso de drone e técnicas especializadas para esse tipo de resgate. O Corpo de Bombeiros orientou a população a não se arriscar em buscas por conta própria e reforçou que qualquer informação que possa ajudar deve ser comunicada pelo telefone 193.

A Prefeitura de Vitória da Conquista informou que montou uma força-tarefa para apoiar a operação e atender os demais impactos do temporal. Segundo o governo municipal, as buscas foram retomadas por volta das 4h30, no percurso do Rio Verruga e também na região da Limeira, com apoio ao Corpo de Bombeiros.

A prefeita Sheila Lemos afirmou que a prioridade da gestão, neste momento, é localizar Rosânia, prestar atendimento à família e acompanhar as famílias atingidas pela chuva. Além das buscas, o Comitê de Gerenciamento de Crise segue monitorando os danos provocados pelo temporal em diferentes bairros e localidades do município.

De acordo com a prefeitura, foram registrados 16 chamados para vistorias relacionadas a alagamentos, rachaduras, trincas, fissuras, risco de desabamento, problemas estruturais e queda de galhos de árvores. Equipes municipais fizeram inspeções em residências e estabelecimentos afetados. No bairro Jurema, a parede e parte do telhado de um galpão desabaram sobre um carro. Também houve registros de alagamentos em imóveis nos bairros Cidade Modelo e Patagônia, além de seis chamados no povoado da Choça, na zona rural.

A Defesa Civil informou que a chuva foi intensa e concentrada, superando 62 milímetros em todo o evento e passaram de 37 milímetros em apenas 20 minutos. O secretário municipal de Segurança Pública, Cristóvão Lemos, disse que a Guarda Municipal foi mobilizada com sete viaturas e 28 agentes distribuídos em pontos críticos da cidade, além do apoio direto às buscas.

Sobre as causas do temporal, o professor de Climatologia da Uesb, Rosalve Lucas, explicou que a chuva intensa foi provocada pela combinação de três fatores: atuação da La Niña, presença de uma massa de ar muito úmida sobre a região e influência da Zona de Convergência Intertropical. Segundo ele, esse tipo de precipitação forte e repentina é comum entre fevereiro e março e pode voltar a ocorrer de forma irregular e concentrada, exigindo atenção redobrada em áreas urbanas mais densas e locais de risco.

Enquanto as buscas continuam, a prefeitura mantém o monitoramento das condições climáticas e orienta a população a acionar a Defesa Civil em caso de emergência.

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