Foto: Jailson Souza
hapia parque nacional Bahia

Presença de harpia é confirmada em parque nacional na Bahia

A presença da harpia (Harpia harpyja), considerada o maior gavião das Américas, foi confirmada no Parque Nacional da Serra das Lontras, no sul da Bahia. O registro foi feito por pesquisadores em parceria com o Projeto Harpia Mata Atlântica e reforça informações recentes sobre a espécie na região.

De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a confirmação foi acompanhada pela equipe gestora vinculada ao Núcleo de Gestão Integrada (NGI) de Ilhéus, responsável também pela administração da Reserva Biológica de Una e do Refúgio de Vida Silvestre de Una.

Segundo Pablo Casella, analista ambiental do NGI que acompanhou o trabalho durante o registro, já existiam indícios da ocorrência da espécie na área. “Já havia uma suspeita sobre a presença da harpia no Parque Nacional da Serra das Lontras e nas demais unidades sob gestão do NGI Ilhéus. A parceria com o Projeto Harpia trouxe essa confirmação, o que foi motivo de imensa alegria. Saber da existência da rainha das florestas em nosso território é, além de uma honra, também uma grande responsabilidade”, destacou.

A equipe também afirmou que o registro reforça a continuidade das ações de conservação na Mata Atlântica. “É uma renovação de energia para seguirmos firmes na luta pela sobrevivência de todos os seres da Mata Atlântica”.

Criado em 2010, o Parque Nacional da Serra das Lontras tem pouco mais de 11 mil hectares e tem como objetivo a conservação ambiental aliada à pesquisa científica e à visitação pública. A área representa o limite mais ao norte da Mata Atlântica com registros recentes da espécie.

A gestão do parque apontou que, para garantir a sobrevivência da harpia, é necessário assegurar a integridade não apenas da unidade de conservação, mas também da “cabruca”, sistema agroflorestal tradicional do cultivo de cacau sob árvores nativas. O modelo pode contribuir para manter a conectividade entre fragmentos florestais no sul da Bahia.

Nasce filhote de harpia em RPPN federal

No sul da Bahia, a espécie também teve um registro reprodutivo recente na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, com o nascimento de um filhote. O caso é apontado como o único ninho com sucesso reprodutivo monitorado na Mata Atlântica em 2026, em uma área reconhecida como RPPN em âmbito federal.

A reserva é considerada um local de registros históricos da espécie. Em 2005, ocorreu ali o primeiro registro de ninho documentado no bioma. Desde 2018, os casais monitorados vinham apenas reformando ninhos, sem sucesso reprodutivo, até o nascimento do novo filhote, ocorrido há cerca de duas semanas.

A presença de um filhote ativo no Corredor Central da Mata Atlântica é tratada como indicador ambiental por estar associada à existência de fragmentos florestais maduros, disponibilidade de presas de médio e grande porte, como macacos e preguiças, e árvores capazes de sustentar ninhos que podem pesar até 100 quilos.

Para reduzir interferências no ambiente natural, o monitoramento inicial do filhote é feito à distância, com técnicas de baixa intervenção. A expectativa é que, ao completar cerca de seis meses, a ave receba um rastreador GPS para coleta de dados espaciais usados como subsídio a políticas públicas e estratégias de conservação.

Ao fim do último ano, na mesma região, houve um registro inédito de uma harpia no Parque Nacional e Histórico do Monte Pascoal. O registro foi feito por indígenas Pataxó, em um contexto de monitoramento da biodiversidade com participação de saberes tradicionais.

A ocorrência da espécie em diferentes áreas protegidas do sul da Bahia é associada à importância de unidades de conservação e de territórios aliados para a proteção da biodiversidade.

Características da espécie e indicadores ambientais

A harpia, também conhecida como gavião-real, é considerada sensível a alterações ambientais e dependente de florestas preservadas. Uma fêmea adulta pode chegar a nove quilos e ultrapassar dois metros de envergadura. As garras podem medir cerca de 10 centímetros e têm força para capturar presas com eficiência.

Como predador de topo de cadeia, a espécie não tem predadores naturais e é citada como indicador da saúde ambiental. Segundo Pablo, a presença da harpia pode contribuir para evitar desequilíbrios ecológicos que afetem a vegetação e, consequentemente, a formação e a retenção de recursos hídricos.

A ave tem ciclo reprodutivo lento, com a geração de apenas um filhote a cada dois ou três anos, e necessita de grandes territórios, que podem variar de quatro mil a dez mil hectares por casal. Por isso, novos registros são tratados como indicativos das condições ambientais em áreas onde a espécie ocorre.

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