Além de pichações, local foi arrombado e vandalizado
Centro de Umbanda Guanambi alvo de vandalismo

Centro de Umbanda é vítima de vandalismo e pichações nazistas em Guanambi

O Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro, instituição religiosa com quase 80 anos de existência, localizada na região central de Guanambi, foi alvo de atos de vandalismo e intolerância religiosa que provocaram reação da Prefeitura de Guanambi e da subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O caso veio a público nesta semana após a divulgação de imagens mostrando o espaço religioso pichado com símbolos nazistas, em um episódio classificado pelas instituições como ataque de ódio, racismo e violação à liberdade de crença. Além disso, o local foi arrobado e vandalizado e diversos símbolos religiosos foram danificados.

Também houve pichações nazistas em um bar, na rua Henrique Dias, a mesma onde fica o Centro de Umbanda, e em um muro na rua Casimiro de Abril, ambas na região central da cidade.

Vice-presidente da casa, Joel Silva informou que os frequentadores perceberam a situação na terça-feira, 21 de abril, embora a suspeita seja de que o ataque tenha ocorrido no domingo (19). Segundo ele, a decisão inicial foi não expor o caso para evitar ainda mais visibilidade negativa, já que, conforme relatou, religiões de matriz africana costumam ser alvo frequente de ataques e preconceito.

De acordo com Joel, o centro já havia enfrentado diversos episódios de roubo nos últimos meses. Desta vez, porém, uma pessoa viu a situação e divulgou o ocorrido, o que levou a direção da casa a procurar as autoridades.

“A gente não tinha interesse em denunciar, para evitar a exposição, já que nossa religião é muito atacada. Tivemos diversos casos de roubo, mas uma pessoa viu e expôs a situação, e ficamos sem ter como esconder. Estamos indo à delegacia para registrar uma ocorrência a fim que a polícia investigue e chegue aos autores”, afirmou.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (23), a Prefeitura de Guanambi repudiou o que classificou como um “gravíssimo ataque de ódio, de cunho racista e de intolerância religiosa” contra o Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro. No comunicado, a administração municipal afirmou que, após sucessivos arrombamentos registrados nos últimos meses, o templo voltou a ser alvo de violência, desta vez com pichações contendo símbolos nazistas.

A prefeitura destacou que o centro religioso é dedicado à fé, à caridade e à ancestralidade, e que parte da estrutura e objetos religiosos também foi danificada. Para a gestão municipal, o episódio representa um dos ataques mais graves contra uma instituição religiosa na história recente do município. A nota ainda ressalta que Guanambi é uma cidade alicerçada no respeito, na diversidade cultural e religiosa e na liberdade de crença, e que atos de discriminação contra qualquer segmento religioso são incompatíveis com os direitos fundamentais e com a convivência democrática.

No mesmo posicionamento, o governo municipal declarou confiar na atuação das autoridades policiais para a apuração célere dos fatos e a responsabilização dos autores. A prefeitura também manifestou solidariedade à comunidade do Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro e afirmou que a população guanambiense não compactua com ações que tentem cercear o direito constitucional de professar livremente a fé.

A subseção da OAB de Guanambi também se manifestou oficialmente por meio de nota de repúdio assinada pela diretoria da instituição e pela Comissão de Direitos Humanos. No documento, a entidade afirma repudiar de forma veemente o episódio de violência motivada por intolerância religiosa e racismo contra o centro de umbanda, destacando que o caso foi amplamente divulgado nas redes sociais e consistiu na vandalização do espaço com símbolos nazistas e mensagens de exaltação ao ódio.

Segundo a OAB, o episódio representa violação direta aos direitos humanos fundamentais, especialmente à liberdade de crença, à igualdade e à dignidade da pessoa humana, atingindo de maneira sensível comunidades de matriz africana, historicamente marcadas por processos de discriminação e marginalização. A entidade ressalta ainda que o uso de símbolos nazistas para intimidar templos religiosos configura crime, com base na Lei Federal nº 7.716/1989, conhecida como Lei do Racismo.

Na nota, a OAB de Guanambi reafirma solidariedade aos dirigentes e frequentadores do Centro de Umbanda São Jorge Guerreiro e sustenta que o exercício da fé deve ser garantido de forma livre, segura e respeitosa, sem qualquer forma de coação, medo ou violência. A instituição também defende que o enfrentamento às práticas discriminatórias exige vigilância institucional permanente e compromisso coletivo com a promoção da igualdade e da justiça social.

Ao final do documento, a subseção instou o Ministério Público do Estado da Bahia e as autoridades competentes a adotarem todas as medidas necessárias para uma apuração rigorosa, com identificação dos responsáveis e responsabilização nos termos da lei.

O caso reacende o debate sobre intolerância religiosa e racismo em Guanambi e no interior baiano, especialmente em relação às comunidades de matriz africana, que historicamente enfrentam episódios de preconceito, hostilidade e violência. A expectativa agora é pela formalização da ocorrência policial e pelo avanço das investigações para esclarecer as circunstâncias do ataque.

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