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probabilidade de El niño 2026

Probabilidade de El Niño no início do segundo semestre sobe para 92%

O aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial deve ganhar força nos próximos meses e elevar a probabilidade de formação do El Niño no início do segundo semestre de 2026. A informação consta no Boletim Agroclimatológico Mensal do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgado nesta segunda-feira, 11 de maio.

De acordo com o documento, a previsão probabilística do International Research Institute for Climate and Society (IRI), citada pelo Inmet, indica 92% de chance de ocorrência do fenômeno no trimestre junho, julho e agosto de 2026. Para o trimestre maio, junho e julho, a probabilidade estimada é de 88%.

Apesar da tendência de aquecimento, o boletim informa que, em abril, o Pacífico Equatorial ainda permanecia em condição de neutralidade climática. Na região Niño 3.4, usada como referência para caracterização do El Niño-Oscilação Sul (ENOS), a anomalia média mensal da temperatura da superfície do mar foi de 0,5°C.

Segundo os critérios de monitoramento citados no boletim, anomalias entre -0,5°C e +0,5°C indicam neutralidade, sem configuração oficial de El Niño ou La Niña. No entanto, o Inmet destaca que o valor registrado em abril foi superior ao do mês anterior, sinalizando rápido aquecimento das águas superficiais do Pacífico.

Entre os dias 16 e 30 de abril, também foi observada a presença de águas mais quentes nas partes central e oeste do Pacífico Equatorial, além da costa oeste da América do Sul. Nessa faixa, as anomalias variaram entre 0,5°C e 3°C, conforme análise apresentada no boletim.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial. O fenômeno altera a circulação atmosférica e pode influenciar o regime de chuvas e temperaturas em várias regiões do planeta, incluindo o Brasil.

No país, os efeitos variam de acordo com a região e a intensidade do fenômeno. Em geral, episódios de El Niño costumam estar associados a mudanças nos padrões de chuva, com risco de redução de precipitações em parte do Norte e Nordeste e maior ocorrência de chuva em áreas do Sul, embora os impactos dependam da época do ano e da combinação com outros fatores climáticos.

O boletim do Inmet aponta que o trimestre maio-junho-julho já deve ser marcado por temperaturas acima da média em grande parte do Brasil. A previsão indica desvios positivos em áreas do Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, com maior atenção para regiões agrícolas que também devem enfrentar redução da umidade no solo.

No Nordeste, o Inmet prevê chuvas acima da média no centro-norte do Maranhão, norte do Piauí, norte do Ceará e faixa leste da região, incluindo o litoral da Bahia. No interior nordestino, as chuvas devem ficar próximas da média, mas a previsão indica ampliação das áreas com baixos estoques de água no solo ao longo do trimestre.

Na Bahia, o boletim chama atenção para o oeste do estado, onde as temperaturas devem ficar acima da média. Em abril, grande parte do território baiano já havia registrado baixos acumulados de chuva, com níveis reduzidos de armazenamento hídrico no solo, especialmente no centro do estado e em áreas do oeste.

Para o Centro-Oeste, o prognóstico indica chuva abaixo da média em grande parte da região e temperaturas acima da normal climatológica. A redução progressiva da umidade no solo pode afetar lavouras de segunda safra, como milho e algodão, principalmente a partir de junho.

No Sudeste, a previsão também aponta chuva abaixo da média em São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e grande parte de Minas Gerais. O Inmet alerta para impactos sobre culturas de segunda safra, como milho e feijão, especialmente em Minas Gerais, onde o déficit hídrico deve se intensificar nos próximos meses.

Já na Região Sul, o boletim indica chuvas abaixo da média no Paraná e em Santa Catarina, mas volumes próximos ou acima da média no Rio Grande do Sul. Para junho e julho, o cenário hídrico tende a ser mais favorável para culturas de inverno, embora a umidade elevada possa aumentar o risco de doenças em lavouras gaúchas.

Além do Pacífico, o Inmet também analisou o comportamento do Oceano Atlântico. Em abril, o Atlântico Tropical Sul apresentou anomalia positiva de 0,64°C, enquanto o Atlântico Tropical Norte registrou 0,05°C. Essa configuração caracteriza um dipolo de fase negativa, condição que favorece o deslocamento da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) mais ao sul.

Esse padrão no Atlântico contribui para a formação de chuvas na costa norte do Nordeste e no leste da Amazônia. Por isso, mesmo com a tendência de El Niño no Pacífico, o comportamento das chuvas no Brasil dependerá da interação entre diferentes sistemas oceânicos e atmosféricos.

O Inmet destaca que o acompanhamento das condições oceânicas é importante para o planejamento agrícola, especialmente em um período de transição entre a neutralidade climática e a possível instalação do El Niño. A evolução do fenômeno poderá influenciar o calendário de plantio, o desenvolvimento das lavouras, o manejo das pastagens e a disponibilidade de água no solo ao longo do segundo semestre.

Entenda os principais pontos

  • Probabilidade de El Niño: 92% para o trimestre junho-julho-agosto de 2026
  • Trimestre anterior: 88% de chance para maio-junho-julho
  • Situação em abril: neutralidade climática no Pacífico Equatorial
  • Região Niño 3.4: anomalia média de 0,5°C em abril
  • Tendência: fortalecimento do aquecimento das águas do Pacífico nos próximos meses
  • Impactos esperados: alterações no regime de chuvas, temperaturas acima da média e efeitos sobre lavouras e pastagens

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