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Safra 2026 deve produzir 66,7 milhões de sacas de café; 18% a mais do que em 2025

A safra brasileira de café de 2026 deve alcançar 66,7 milhões de sacas, estimativa 18% acima do volume colhido em 2025, conforme o 2º Levantamento da Safra de Café 2026 divulgado nesta quinta-feira, 21 de maio. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), se o número se confirmar, será o maior da série histórica do órgão.

A projeção supera em 5,74% a colheita de 2020, quando foram produzidas 63,08 milhões de sacas. A área total destinada à cafeicultura deve crescer 3,9%, chegando a 2,34 milhões de hectares, com 1,94 milhão de hectares em produção e 401,7 mil hectares em formação.

A produtividade média nacional também deve se recuperar, com alta estimada em 13% e previsão de 34,4 sacas por hectare. Os dados integram o levantamento publicado pela Conab e consideram a evolução das áreas cultivadas e o desempenho esperado das lavouras nas principais regiões produtoras.

Para o café arábica, a Conab estima produção de 45,8 milhões de sacas, alta de 28% sobre o ano anterior. O volume previsto seria o terceiro maior da série histórica, atrás apenas de 2020 e 2018. A estatal atribui o resultado aos efeitos do ciclo de bienalidade, ao aumento de área e às condições climáticas favoráveis.

No caso do conilon, a colheita é estimada em 20,9 milhões de sacas, crescimento de 0,8% em relação à safra anterior. A alta é influenciada pela maior área em produção, prevista em 388,22 mil hectares, o que compensaria a queda de 3,5% na produtividade média nacional, calculada em 53,9 sacas por hectare.

Produção nos estados – Em Minas Gerais, principal produtor do país e com a maior área de arábica, a produção total das duas espécies é estimada em 33,4 milhões de sacas, aumento de 29,8% frente ao volume da safra anterior. A Conab relaciona o desempenho à bienalidade positiva e à distribuição das chuvas antes da floração, além do clima favorável até março.

No Espírito Santo, segundo maior produtor, a estimativa é de alta de 3% na produção, podendo alcançar 18 milhões de sacas. O arábica teria produção prevista de 4,4 milhões de sacas, com crescimento de 27,9% na produtividade, enquanto o conilon deve somar 13,6 milhões de sacas, redução de 4,2% em comparação com 2025.

A queda do conilon capixaba é atribuída ao desempenho elevado de 2025, que limitou o potencial produtivo no ciclo atual, e a temperaturas abaixo da média ao longo do desenvolvimento da lavoura, com impacto na fisiologia das plantas. Ainda assim, a produtividade estimada para o estado é apontada como a segunda maior da série histórica local.

Na Bahia, a projeção indica crescimento de 5,9% na safra, com expectativa de 4,7 milhões de sacas, sendo 1,2 milhão de arábica e 3,5 milhões de conilon. A Conab cita regularidade climática, maior investimento em manejo e entrada de novas áreas em produção como fatores associados ao resultado.

Em São Paulo, onde o cultivo é exclusivo de arábica, a produção esperada é de 5,9 milhões de sacas, alta de 24,6%. Em Rondônia, com produção apenas de conilon, a safra prevista é de 2,8 milhões de sacas, aumento de 19,4% em relação à temporada passada, associado à renovação por plantas clonais mais produtivas e ao clima favorável.

Mercado – O Brasil exportou 11,5 milhões de sacas de 60 quilos de café entre janeiro e abril de 2026, queda de 22,5% ante o mesmo período de 2025, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O recuo é relacionado ao baixo nível de estoques internos, influenciado por limitações de produção anteriores e demanda exportadora aquecida.

Apesar da queda no início do ano, a perspectiva é de recuperação das exportações brasileiras no segundo semestre de 2026, favorecida pela estimativa de aumento da produção nacional. No cenário internacional, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta alta de 2% na produção mundial no ciclo 2025/26, estimada em 178,8 milhões de sacas de 60 quilos.

Mesmo com o crescimento esperado da oferta global, o USDA não indica reduções expressivas nas cotações, citando o baixo estoque remanescente do ciclo anterior e a previsão de aumento de 1,3% na demanda mundial, estimada em 173,9 milhões de sacas. O boletim completo pode ser consultado em https://www.gov.br/conab/pt-br/atuacao/informacoes-agropecuarias/safras/safra-de-cafe.

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