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Nota Cemaden el nino

Cemaden aponta aumento das ondas de calor no Brasil e analisa impactos de possível El Niño

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) divulgou nesta sexta-feira, 22 de maio, uma nota técnica com informações sobre a ocorrência de ondas de calor no Brasil, a relação desses eventos com anos de El Niño e os impactos esperados no país durante o ciclo 2026/2027.

O documento, identificado como Nota Técnica nº 645/2026/SEI-CEMADEN, aponta que as ondas de calor aumentaram em frequência em todo o Brasil nas últimas quatro décadas. A análise considera o histórico de 1979 a 2025 e indica intensificação dos eventos principalmente a partir dos anos 2000.

Segundo o Cemaden, nos anos de El Niño de 1982-1983, 1997-1998, 2009-2010, 2014-2016, 2018-2020 e 2023-2024, houve escalada na ocorrência de ondas de calor em todos os estados brasileiros. Apesar de 2023, 2024 e 2025 estarem entre os anos mais quentes já registrados globalmente, a nota destaca que nem todos os estados apresentaram, necessariamente, o maior número histórico de ondas de calor nesse período.

O levantamento mostra que o Brasil apresenta um padrão médio de 8 a 14 ondas de calor por ano em 88% do território nacional. As áreas com maior frequência estão, principalmente, nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Norte.

O Mato Grosso do Sul aparece como o estado com maior média histórica, com 14,3 ondas de calor por ano, considerando o período de 1979 a 2025. Na sequência aparecem Santa Catarina, com 13 por ano, Rio Grande do Sul e São Paulo, ambos com 12,8, e Paraná, com 12,6.

A Bahia aparece na 21ª posição entre as unidades da federação, com média histórica de 9,3 ondas de calor por ano. No Nordeste, Pernambuco tem a maior média, com 10,1, seguido por Paraíba, com 9,7, Piauí, com 9,5, Bahia, com 9,3, Sergipe, com 9,2, Ceará, com 9,1, Alagoas, com 8,5, e Rio Grande do Norte, com 7,8.

De acordo com a nota, a partir dos anos 2000 a ocorrência de ondas de calor se intensificou em todos os estados. O fenômeno passou a afetar com mais frequência também as regiões Norte e Nordeste, que anteriormente registravam menor ocorrência de extremos quando comparadas ao Sul e ao Sudeste.

O Cemaden aponta que os impactos variam entre as regiões. No Norte, a combinação entre ondas de calor e seca pode aumentar o risco de incêndios. No Sul e no Sudeste, onde há maior histórico de ocorrência, a repetição desses eventos pode ampliar impactos sobre a saúde da população, especialmente entre grupos mais vulneráveis.

A nota também registra que eventos extremos, com mais de 25 ondas de calor em um único ano, ocorreram apenas durante anos de El Niño. Entre os exemplos citados estão o Maranhão, com 26 ocorrências em 2016; o Distrito Federal, com 28 em 2019; o Amapá, com 26 em 2020 e recorde de 31 em 2024; e Roraima, com 28 em 2024.

Em escala regional, o Sul apresentou a maior média histórica, com 12,8 ondas de calor por ano. Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste registraram médias próximas, entre 10,7 e 10,8 ocorrências anuais. Nos eventos de El Niño mais recentes, como 2014-2016, 2018-2020 e 2023-2024, houve aumento de eventos classificados em categorias mais extremas, com registros acima de 20 ondas de calor por ano em algumas regiões.

O ano de 2024 foi apontado pelo Cemaden como o período com valores mais extremos de ocorrência de ondas de calor em escala regional e nacional.

A nota técnica considera como onda de calor uma sequência de dias e noites excepcionalmente quentes. Para a classificação, foram analisados eventos em que temperaturas máximas e mínimas permaneceram acima do limite considerado extremo por mais de três dias consecutivos. O critério usa como referência o percentil 90 em relação à média climatológica de 30 anos, com base no período de 1991 a 2020.

Os dados utilizados pelo Cemaden foram obtidos a partir do Global Unified Temperature, do CPC/NOAA, com registros diários desde 1º de janeiro de 1979. A base possui resolução espacial de 0,5º x 0,5º e foi validada com dados de estações meteorológicas da América do Sul.

A instituição afirma que, apesar das limitações de resolução espacial, a base permite identificar eventos de maior abrangência e avaliar a influência de bloqueios atmosféricos, sistemas de alta pressão que podem favorecer a permanência de extremos de temperatura por vários dias consecutivos.

Veja a nota completa

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