A Bahia deu mais um passo na atração de investimentos ligados à transição energética. Nesta terça-feira, 9 de junho, o governador Jerônimo Rodrigues participou, no Polo Industrial de Camaçari, da cerimônia de lançamento da pedra fundamental da primeira fábrica brasileira da Windey Energy, empresa chinesa que atua na fabricação de equipamentos para energia renovável.
A nova unidade será voltada à produção de sistemas de armazenamento de energia em baterias, conhecidos pela sigla BESS, tecnologia usada para ampliar a segurança do sistema elétrico e facilitar a integração de fontes renováveis, como energia solar e eólica, à matriz energética.
O investimento previsto é de R$ 100 milhões nos próximos anos. A fábrica deve receber máquinas, equipamentos importados e estrutura para operação industrial. A capacidade produtiva estimada é de 1,5 GWh por ano, com expectativa de início da produção local no primeiro semestre de 2027.
Durante a cerimônia, o governador afirmou que a escolha da Bahia está relacionada ao potencial do estado para geração de energia renovável. “Minha alegria é saber que a Windey fez estudos sobre os melhores lugares para se instalar uma planta industrial e escolheu o Nordeste, a Bahia, que possui terras com os melhores potenciais de vento e de sol, além da biomassa. E o complexo que estão instalando aqui para baterias não diz respeito apenas a uma energia ou a outra, mas a um conjunto para garantir o armazenamento”, disse Jerônimo.
Segunda etapa da instalação no Brasil
O lançamento da pedra fundamental representa a segunda etapa da instalação da Windey no Brasil. Em 2025, a empresa inaugurou seu escritório nacional e um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em parceria com o Senai Cimatec, em Salvador.
Com a fábrica em Camaçari, a empresa amplia sua presença no país e coloca a Bahia em posição estratégica no mercado de armazenamento energético. O segmento é considerado uma das áreas de maior crescimento dentro da transição energética, por permitir o uso mais eficiente da energia gerada por fontes renováveis intermitentes, como sol e vento.
A tecnologia BESS armazena energia em baterias para uso posterior. Esse tipo de sistema pode ser utilizado para reduzir instabilidades na rede, atender períodos de maior demanda e ampliar a confiabilidade do fornecimento elétrico.
Bahia busca ampliar cadeia produtiva de energia limpa
Para o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Aécio Moreira, a chegada da fábrica reforça a capacidade da Bahia de atrair investimentos industriais ligados à energia renovável.
“O Governo do Estado lançou um programa de atração de investimentos nessa área de energia renovável e as próprias condições do estado já o consolidam como polo atrator. É um investimento robusto, um segmento que tem gerado muito emprego, não só no polo regional, mas em toda a Bahia, tanto na fase de implementação quanto na operação dos sistemas”, afirmou.
A instalação da Windey também ocorre em um momento de expansão dos debates sobre armazenamento de energia no Brasil. A ampliação dessa cadeia produtiva é vista como uma etapa importante para aumentar a participação das fontes renováveis e criar condições para novos projetos industriais no país.
Empregos qualificados
Segundo o presidente da Windey Energy Brasil, Ricardo Galvão, a fábrica terá alto nível de automação e deve gerar vagas qualificadas à medida que atingir sua plena operação.
“Vamos fazer um investimento, nos próximos anos, de R$ 100 milhões dentro dessa fábrica, incluindo aquisição de máquinas, importações e recursos humanos. É uma fábrica que vem da China com um nível muito alto de automação. Existem fábricas lá que estão praticamente com 98% de automatização. Acreditamos que conseguiremos ter entre 70 e 120 profissionais com o passar do tempo, quando estivermos operando plenamente”, afirmou.
Galvão também destacou que a empresa pretende desenvolver parcerias com o Senai Cimatec e outras instituições de ensino e pesquisa para capacitar trabalhadores em diferentes níveis de formação. A qualificação deve contemplar desde funções operacionais da indústria até áreas técnicas e de ensino superior.
A medida busca atender à demanda por mão de obra especializada gerada pela nova unidade e por outros investimentos ligados à cadeia de energia renovável.
Camaçari como polo industrial da transição energética
A escolha de Camaçari para receber a fábrica também reforça o papel do município como polo industrial da Bahia. A cidade já concentra empreendimentos de diferentes cadeias produtivas e passa a incorporar uma nova frente ligada ao armazenamento de energia e à indústria de equipamentos para fontes renováveis.
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Carlos Henrique Passos, o investimento contribui para criar soluções industriais voltadas ao setor energético.
“Estamos falando aqui da perspectiva de criar soluções, de habilitar uma indústria da energia, aproveitando o vento, que a Bahia tem em abundância, para produzir energia. Estamos falando de criar condições para atender demandas do setor econômico, onde ainda temos espaço para crescer”, afirmou.
Com a fábrica da Windey, a Bahia amplia sua participação na cadeia nacional de energia limpa e passa a disputar espaço em um segmento estratégico para a segurança energética, a inovação tecnológica e a atração de novos investimentos industriais.
