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Lençóis concorre a selo de Melhor Vila Turística do Mundo da ONU Turismo

Lençóis, principal porta de entrada da Chapada Diamantina, na Bahia, está entre os sete destinos brasileiros indicados para concorrer ao selo Melhores Vilas Turísticas do Mundo, concedido pela ONU Turismo.

A iniciativa reconhece localidades que se destacam pela valorização do patrimônio cultural e natural, pela preservação de tradições, pelo compromisso com a sustentabilidade e pela promoção do desenvolvimento local.

Localizado a cerca de 418 quilômetros de Salvador, o município baiano reúne características que justificam a indicação: história ligada ao garimpo, patrimônio arquitetônico preservado, comunidades tradicionais, turismo de base comunitária, áreas naturais protegidas e forte relação com a cultura da Chapada Diamantina.

Patrimônio histórico e cultural

A história de Lençóis atravessa diferentes períodos. Na Serra das Paridas, pinturas pré-históricas revelam vestígios de populações ancestrais que habitaram a região. Já o Território Quilombola do Remanso mantém viva a herança afro-brasileira, com saberes, modos de vida e práticas comunitárias que vêm ganhando destaque no turismo de base comunitária.

O centro histórico também é um dos principais atrativos da cidade. O casario colonial do século XIX, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1973, remete ao período de expansão da mineração de diamantes na Chapada Diamantina.

A herança dos antigos garimpeiros também aparece na religiosidade local. A tradicional Festa do Senhor dos Passos é considerada o maior evento religioso de Lençóis e integra a identidade cultural do município.

Natureza da Chapada Diamantina

Além do patrimônio histórico, Lençóis se destaca pela localização privilegiada. O município está inserido no Parque Nacional da Chapada Diamantina, unidade de conservação que protege áreas da Serra do Sincorá, ecossistemas de grande relevância ambiental e nascentes que abastecem a região.

A cidade também fica próxima da Área de Proteção Ambiental Marimbus-Iraquara, onde está o chamado “Pantanal da Chapada”. O sistema de áreas úmidas influencia o modo de vida de comunidades ribeirinhas e amplia a diversidade de experiências turísticas ligadas à natureza.

Para visitantes que buscam trilhas e paisagens próximas ao centro urbano, o Parque Natural Municipal da Muritiba oferece acesso a atrativos como as Areias Coloridas e o Poço do Serrano, dois dos pontos mais conhecidos de Lençóis.

Como foi feita a seleção

As localidades brasileiras que disputam o selo internacional foram escolhidas pelo Ministério do Turismo, após análise de dez inscrições.

Entre os critérios considerados estão população de até 15 mil habitantes, localização em paisagem com presença significativa de atividades tradicionais, como agricultura, silvicultura, pecuária ou pesca, e existência de valores e estilo de vida comunitários.

O resultado final será divulgado em dezembro, em Buenos Aires, na Argentina. As vilas brasileiras concorrem com outras 261 localidades de diferentes continentes.

Selo internacional

O selo Melhores Vilas Turísticas do Mundo foi criado pela ONU Turismo para reconhecer destinos rurais que usam o turismo como instrumento de desenvolvimento sustentável, preservação cultural, conservação ambiental e melhoria da qualidade de vida da população.

Desde a criação da iniciativa, a ONU Turismo recebeu mais de mil inscrições, de mais de 100 países. Atualmente, a rede internacional reúne 319 destinos rurais reconhecidos.

Com as indicações deste ano, 27 vilas turísticas brasileiras já foram apresentadas ao programa. Duas receberam o reconhecimento internacional: Testo Alto, em Pomerode, Santa Catarina, e Antônio Prado, no Rio Grande do Sul.

Testo Alto é conhecida pela Rota do Enxaimel, que reúne uma das maiores concentrações de casas construídas com a técnica arquitetônica trazida por imigrantes alemães fora da Europa. Já Antônio Prado se destaca pela preservação da herança da imigração italiana, inclusive com forte presença do talian, dialeto formado a partir de idiomas do norte da Itália e do português.

Outros destinos brasileiros na disputa

Além de Lençóis, outros seis destinos representam o Brasil na edição deste ano.

Em Minas Gerais, foram indicados Conceição de Ibitipoca, distrito de Lima Duarte, e Delfinópolis. Ibitipoca é conhecida pela proximidade com o Parque Estadual do Ibitipoca, com trilhas, cachoeiras, grutas e experiências de ecoturismo. Delfinópolis integra a região da Serra da Canastra e combina turismo de natureza, produção rural, cachoeiras e tradições ligadas ao Queijo Minas Artesanal da Canastra e ao Café da Canastra.

Em Santa Catarina, a representante é Araçá, em Porto Belo. A vila combina natureza preservada, pesca artesanal, gastronomia baseada em frutos do mar, passeios em embarcações tradicionais e atividades costeiras.

São Paulo conta com duas indicações: Holambra e São José do Barreiro. Holambra é conhecida como Capital Nacional das Flores e preserva a herança cultural dos imigrantes holandeses. São José do Barreiro, no Vale do Paraíba, reúne patrimônio histórico ligado ao Ciclo do Café, fazendas antigas, cachoeiras e acesso à Serra da Bocaina.

No Rio Grande do Sul, a indicada é Vila Flores, na Serra Gaúcha. O município valoriza tradições italianas, gastronomia típica, turismo rural e paisagens preservadas da Mata Atlântica. Um dos principais símbolos locais é o Filó Italiano, tradição que rendeu ao município o título de Capital Estadual do Filó.

Reconhecimento para a Bahia

A indicação de Lençóis reforça a presença da Chapada Diamantina entre os destinos brasileiros mais associados ao turismo de natureza, cultura e aventura. A cidade é amplamente conhecida como uma das principais bases para visitantes que buscam trilhas, cachoeiras, grutas, mirantes e experiências culturais no interior da Bahia.

Caso seja reconhecida pela ONU Turismo, Lençóis poderá ampliar sua visibilidade internacional e fortalecer iniciativas voltadas ao turismo sustentável, à valorização das comunidades locais e à conservação do patrimônio natural e cultural da Chapada Diamantina.

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