Foto: Dênio Simões/MDR
Adutora do Agreste Rio São Francisco

Testes foram iniciados para levar água do Rio São Francisco ao agreste

A Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) iniciou, no último dia 13 de novembro, os testes operacionais de um trecho da Adutora do Agreste que vai transportar água da Transposição do Rio São Francisco para o município de Bezerros, no Agreste de Pernambuco.

A fase de testes em Caruaru foi acompanhada pelo presidente da Compesa, Douglas Nóbrega, pela prefeita de Bezerros, Lucielle Laurentino, pelo diretor de Engenharia da companhia, Daniel Genuíno, e por equipes técnicas. A expectativa é de que as águas do Velho Chico cheguem a Bezerros até o fim deste ano.

Os testes consistem em manobras e monitoramentos ao longo do Lote 5B da Adutora do Agreste, um trecho de 54 quilômetros de tubulações, com diâmetros entre 800 mm e 500 mm, que leva água a partir da captação na Barragem de Ipojuca, na zona rural de Arcoverde, em direção a Bezerros e, numa etapa posterior, a Gravatá. O investimento nesse segmento é de R$ 92 milhões. Segundo a Compesa, a etapa que beneficiará Gravatá segue em obras e terá testes iniciados em 2026.

Paralelamente, a companhia conclui as obras de inversão da Adutora de Jucazinho via Estação de Tratamento de Água (ETA) Salgado, em Caruaru. A intervenção substitui 1.100 metros de tubulações entre as ruas San Marino e Santa Clara, no bairro São João da Escócia, permitindo que a água do São Francisco chegue às cidades do Tramo Sul do Sistema Jucazinho: Riacho das Almas, Cumaru, Passira e parte da zona rural de Caruaru.

O investimento é de R$ 4,5 milhões. A medida é tratada como prioritária diante do nível crítico da Barragem de Jucazinho, que opera com cerca de 1,16% da capacidade, afetando o abastecimento de 13 municípios do Agreste.

As frentes de trabalho da Adutora do Agreste também avançam em outros trechos. Às margens da PE-180, entre Belo Jardim e São Bento do Una, a Compesa executa a perfuração de 36 estacas que vão sustentar a travessia da adutora sobre o Rio Ipojuca. A estrutura metálica terá mais de 100 metros de comprimento e fará a ligação entre o trecho que passa por Belo Jardim e o segmento que seguirá até São Bento do Una.

Ramal e Adutora do Agreste

As obras integram o sistema do Ramal do Agreste, ligado ao Eixo Leste do Projeto de Integração do Rio São Francisco. O ramal é uma obra do Governo Federal, executada pelo Ministério do Desenvolvimento Regional, com investimento de cerca de R$ 1,6 bilhão, e previsão de beneficiar mais de 2,2 milhões de habitantes em 71 municípios pernambucanos.

O sistema capta água na Barragem Barro Branco, em Sertânia, e a conduz até o reservatório de Ipojuca, em Arcoverde, por um conjunto de estruturas que inclui 70,8 km de extensão, dois reservatórios (Negros e Ipojuca), cinco aquedutos-sifões (3,2 km), uma estação elevatória, seis túneis (16 km), uma adutora de 7 km e 42 km de canal revestido em concreto.

O Ramal do Agreste se interliga à Adutora do Agreste, obra sob responsabilidade do Governo de Pernambuco com apoio financeiro da União. Juntos, os dois sistemas vão permitir que a água do Rio São Francisco seja utilizada de forma regular para reforçar o abastecimento do Agreste pernambucano, reduzindo a dependência de mananciais locais e de barragens que hoje operam em situação crítica, como Jucazinho.

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