Foto: Secom
Universidades do Esporte e Indígena

Governo inicia criação da Universidade Federal do Esporte e da Universidade Federal Indígena

Em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, na manhã desta quinta-feira, 27 de novembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o envio ao Congresso Nacional do Projeto de Lei que cria a Universidade Federal do Esporte (UFEsporte). A nova instituição pública será a primeira nas Américas dedicada exclusivamente à formação e pesquisa no esporte.

Na mesma cerimônia, foi lançada a Universidade Federal Indígena (Unind). A iniciativa é do Ministério da Educação (MEC), em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas (MPI). Sua primeira sede será em Brasília e terá como missão oferecer educação superior voltada a indígenas, fortalecendo identidades e saberes tradicionais, em diálogo com o conhecimento acadêmico não indígena.

Estiveram presentes, além do presidente Lula e dos ministros André Fufuca e Camilo Santana, outras autoridades como Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, e Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas.

UFEsporte

A UFEsporte visa ampliar oportunidades e democratizar o acesso ao conhecimento esportivo, oferecendo cursos que abrangem desde o esporte educacional até o alto rendimento e gestão de políticas públicas. Segundo o Ministério do Esporte, a criação da universidade reforça o compromisso do governo em melhorar a formação de profissionais do setor.

O presidente Lula destacou a importância do ensino superior, mencionando sua própria trajetória e a necessidade de garantir oportunidades igualitárias para atletas. “Eu não tive oportunidade de fazer um curso superior e, justamente por isso, tenho consciência do que representa um diploma universitário para um trabalhador de baixa renda”, afirmou.

O ministro do Esporte, André Fufuca, afirmou que a UFEsporte coloca o Brasil em posição de liderança continental, representando um avanço na formação profissional e na sustentabilidade das políticas esportivas. “A criação da Universidade Federal do Esporte coloca o Brasil em um novo patamar”, disse Fufuca.

O presidente Lula também mencionou que a universidade se alinha a políticas públicas estratégicas, como a formação técnica e o apoio à ciência, além de investimentos no setor esportivo, incluindo o Bolsa Atleta e a Lei de Incentivo ao Esporte.

A atleta Verônica Hipólito, medalhista paralímpica, destacou a importância da universidade para o acesso de jovens ao esporte e a profissionalização do paradesporto. “O esporte mudou a minha vida e muda a vida de milhares de jovens todos os dias”, afirmou.

O ministro da Educação, Camilo Santana, ressaltou que a UFEsporte representa um avanço na integração entre educação superior e políticas públicas de esporte, reforçando o compromisso do governo com a formação de excelência.

A UFEsporte nasce com a missão de integrar ciência, formação profissional e promoção de talentos, reunindo áreas fundamentais da cadeia esportiva. Com sede em Brasília, atuará como articuladora nacional, em diálogo com estados, municípios e entidades esportivas.

A universidade oferecerá cursos em áreas essenciais do ecossistema esportivo, com formação interdisciplinar alinhada à saúde, gestão, comunicação e políticas públicas. Entre os cursos previstos estão Gestão Esportiva, Educação Física, Fisiologia do Exercício, Psicologia do Esporte, Nutrição Esportiva e Direito Esportivo.

Além da graduação, a UFEsporte terá programas de pós-graduação e centros de pesquisa aplicada, permitindo a realização de eventos e programas de extensão. A criação da universidade se soma a políticas que fortalecem o esporte como direito e instrumento de inclusão.

Unind

A Universidade Federal Indígena (Unind) ficará em Brasília, como uma estrutura multicampi dedicada à formação superior de povos indígenas de todas as regiões do país. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC) e ao Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a universidade nasce de um amplo processo de escuta e consulta a lideranças, educadores, jovens, anciãos e organizações indígenas. A Unind terá processos seletivos próprios, com o objetivo de ampliar o ingresso de candidatos indígenas conforme a diversidade linguística e cultural.

Santana recordou que a criação da universidade era uma demanda histórica. “A Unind é uma iniciativa do Governo do Brasil para a formação de indígenas a partir de um modelo educacional que fortaleça as identidades e os saberes tradicionais, em diálogo com a educação não indígena. É uma demanda histórica, que reafirma a diversidade e o princípio da autonomia dos povos originários desse país e fortalece a identidade, a cultura e as línguas indígenas”, disse.

Com a oferta inicial de dez cursos e previsão de oferecer até 48 cursos de graduação, a Unind atenderá aproximadamente 2,8 mil estudantes indígenas nos primeiros quatro anos de implantação. Os cursos de graduação e de pós-graduação a serem ofertados na Unind serão voltados às áreas de interesse dos povos indígenas, com ênfase em gestão ambiental e territorial; gestão de políticas públicas; sustentabilidade socioambiental; promoção das línguas indígenas; saúde; direito; agroecologia; engenharias e tecnologias; formação de professores; e demais áreas consideradas estratégicas para o fortalecimento da autonomia dos povos indígenas, para a atuação profissional nos territórios e para a inserção profissional indígena em diferentes setores do mercado de trabalho.

Pensada para responder às desigualdades históricas de acesso à educação superior, a Unind tem como pilares a autonomia dos povos indígenas, com a promoção de ensino, pesquisa e extensão sob uma perspectiva intercultural; a valorização de seus saberes, línguas e tradições; a produção de conhecimento científico em diálogo com práticas ancestrais; o fortalecimento da sustentabilidade socioambiental; e a formação de quadros técnicos capazes de atuar em áreas estratégicas para o desenvolvimento dos territórios indígenas.

A criação da universidade é resultado de um processo de escuta e diálogo com os povos indígenas de todas as regiões do país. Em 2024, o MEC, junto ao MPI, à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e em parceria com instituições de ensino superior, promoveu 20 seminários regionais para auxiliar a elaboração do documento-base da proposta de criação da instituição, que seria depois discutida por um grupo de trabalho (GT) do MEC.

O GT foi composto por representantes dessas instituições e da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes); do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei); da Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena (Cneei); do Fórum Nacional de Educação (FNE); além de universidades parceiras da educação escolar indígena. O projeto de lei que cria a Unind e a exposição de motivos que fundamenta a proposta ao Congresso Nacional foram elaborados pelo grupo.

Representando os povos indígenas, o professor da Universidade de Brasília, Gersem Baniwa, ressaltou que o momento era de celebração e alegria. “O lançamento da Universidade Indígena representa um marco histórico construído a partir da luta de geração de educadores e pesquisadores indígenas. É o resultado acumulado de debates, propostas e incidências políticas feitas nas bases, nos territórios e nos fóruns de educação, com destaque para o Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena”, apontou.

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