Foto: Reprodução | Cemaden
Hidroeletrica de Três Marias

Hidrelétrica de Três Marias alcança 90% e Sobradinho chega a 70% de volume útil

O reservatório da Usina Hidrelétrica (UHE) de Três Marias, em Minas Gerais, atingiu a marca de 90% de volume útil nesta terça-feira, 3 de março, consolidando a recuperação observada desde o fim de 2025. Já a barragem de Sobradinho está com quase 70% de sua capacidade de armazenamento.

No painel da Cemig, o volume útil de Três Marias aparece em 90,34%, com medição das 21h, além de afluência de 1.311,55 m³/s e defluência de 532,51 m³/s. A própria companhia informa que se trata de dados brutos instantâneos, sujeitos a variações ao longo do dia conforme a operação da usina.

O avanço ocorre após um período de recarga impulsionado pelas chuvas no Alto São Francisco. Segundo os dados informados, o menor volume desde antes do início da recuperação foi de 51,77%, em 13 de dezembro de 2025. Desde então, o reservatório ganhou força com a elevação das vazões afluentes, incluindo pico de 4.083 m³/s em 23 de janeiro, o que ajudou a acelerar a recomposição do armazenamento.

Em comparação com o mesmo período do ano passado, o reservatório está acima: no início de março de 2025, o volume era de 81,6%, conforme os dados fornecidos. A última vez que Três Marias havia superado os 90% tinha sido em março de 2023. Naquele ano, houve abertura de comportas por mais de 40 dias, entre janeiro e o início de março, e o volume útil chegou a 96,5% em meados de maio, no fim do período chuvoso.

A operação atual mantém baixa defluência e comportas fechadas, enquanto a Cemig ajusta a vazão turbinada de acordo com a necessidade de geração de energia e controle do nível do rio. Esse ponto é relevante porque O reservatório tem capacidade para 19.459 hm³. Até o momento, não há aviso sobre abertura de comportas.

Mesmo sem aumento expressivo da defluência em Três Marias, o Rio São Francisco segue em elevação em trechos do Norte de Minas e da Bahia após as chuvas volumosas dos últimos dias. O pico da cheia atravessa a cidade de São Francisco (MG), onde o nível está em cerca de 8 metros, acima da cota de inundação segundo os critérios do Serviço Geológico do Brasil (SGB), com vazão de aproximadamente 4,7 mil m³/s. No fim de janeiro, o nível chegou a 8,06 m no município.

Monitoramento SGB

Nos demais pontos monitorados no Norte de Minas e na Bahia, a tendência ainda é de elevação, enquanto trechos rio acima já começam a apresentar queda, acompanhando a redução das chuvas e o recuo das cheias em afluentes como os rios Abaeté e das Velhas. De acordo com as informações do SGB, os níveis também estão acima da cota de alagamento em Pedras de Maria da Cruz (MG) e, na Bahia, em Carinhanha e Bom Jesus da Lapa.

Até o momento, não há registro de alagamentos urbanos associados a essa cheia. Nesse patamar, os impactos se concentram principalmente em comunidades ribeirinhas, que tradicionalmente precisam deixar as casas em períodos de subida do rio.

No reservatório de Sobradinho, no norte da Bahia, a recuperação também avançou. O volume útil chegou a 69,8%, após estar em 41% na última semana de novembro, quando começou a fase de recomposição. Ainda assim, o nível permanece abaixo do registrado no mesmo período de 2025, quando o reservatório estava em torno de 85%.

Os dados informados para Sobradinho apontam afluência de cerca de 3,7 mil m³/s, em tendência de elevação, e defluência próxima de 1 mil m³/s. A combinação entre entrada de água maior que a saída ajuda a explicar a continuidade da recuperação no maior reservatório do rio São Francisco, em um momento em que a bacia volta ao centro do monitoramento hidrológico no Semiárido e nas áreas ribeirinhas a jusante.

Já o reservatório de Itaparica, controlado pela vazão de Sobradinho, está com 47,2%.

O reservatório de Sobradinho é um dos maiores lagos artificiais do mundo, com uma capacidade total de armazenamento de aproximadamente 34,1 bilhões de metros cúbicos em sua cota máxima (392,50 m). Já o reservatório de Itaparica (Luiz Gonzaga) (PE/BA), possui capacidade de armazenamento de cerca de 11 bilhões de metros cúbicos.

Previsão

A previsão para os próximos dias apontam para chuvas moderadas em toda a bacia do Rio São Francisco, com maiores volumes no Noroeste de Minas, com acumulados de até 200 milímetros (mm) em 15 dias.

Nas Regiões Central e Centro-Oeste, os volumes podem chegar a 150 mm. Já no Norte de Minas, Oeste, Centro-Sul e Vale São-franciscano baianos, os acumulados devem variar de 50 a 120 mm.

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